O bastonário da Ordem dos Médicos advertiu esta sexta-feira que a qualidade dos cuidados de saúde em ortopedia está em causa no Hospital de Faro, devido à falta de médicos da especialidade.

O presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar do Algarve (CHA), Pedro Nunes, refutou as acusações da OM, afirmando que a estrutura está a lançar comunicados “idiotas” a um mês das eleições e a levantar problemas “já conhecidos”, e que a administração não pode resolver porque não determina as condições de contratação dos clínicos.

A falta de médicos foi considerada como “gravíssima” pelo bastonário da Ordem dos Médicos, que acusou a administração do CHA de ter uma “inaceitável incapacidade em manter a qualidade assistencial na especialidade de ortopedia no hospital de Faro” e de “não conseguir dar resposta atempada aos doentes internados que aguardam cirurgia”.

“As condições de contratação, designadamente aquilo que se pode pagar e as condições que se podem oferecer, desde há quatro anos que não dependem dos conselhos de administração, mas sim são definidas pelo Governo central em diálogo com a OM”, disse Pedro Nunes.

A OM tem “seguramente uma intenção política em mês de eleições” de “ocultar e fazer desviar a atenção de que no Algarve, nestes últimos anos, se procedeu a uma restruturação efetiva dos hospitais”, retirando doentes de corredores de urgências ou de enfermarias


José Manuel Silva disse à Lusa que a administração do CHA faz uma “gestão desajustada e desadequada” dos recursos humanos, ao não substituir os profissionais que saíram do hospital nos últimos anos e deixar os colegas ao serviço em situação de “sobrecarga”, com turnos de urgência “de um ou dois médicos, quando na escala deveriam estar quatro”.

O bastonário não aceita a justificação da administração do CHA de que os médicos não querem trabalhar no Algarve e os concursos ficam sem candidatos por considerar que na origem do problema estão os preços de contratação à hora “muito baixos” que levam os clínicos a sair do setor público para o privado ou o estrangeiro.

“Quem quer ir trabalhar para um hospital onde têm mais trabalho, mais stresse e recebem menos do que receberiam no privado, a fazer cirurgias adicionais que são contratadas pelo próprio estado e que são melhor pagas do que no setor público"


José Manuel Silva disse ainda que a falta de ortopedistas em Faro está a fazer com que os internatos não estejam a realizar o número de horas necessárias e isso pode levar o hospital a perder os internos em ortopedia, à semelhança do que se verifica em cirurgia geral.

Pedro Nunes disse que a falta de médicos no Algarve “é conhecida”, mas assegurou que os cuidados de saúde têm sido prestados graças ao “esforço enorme” dos médicos da região e isso devia ser reconhecido pela Ordem.

“Agradecíamos muito a ajuda da OM a estimular os médicos a ir para o Algarve em vez de fazer comunicados idiotas, e sublinho idiotas, a propósito de coisas que eles sabem perfeitamente que existem e que não contribuem para a sua solução”, disse Pedro Nunes.