A qualidade do tratamento do cancro, em Portugal, varia de hospital para hospital, segundo um inquérito tornado público esta sexta-feira, e o ministro da Saúde também reconhece que essas assimetrias existem.

Paulo Macedo admitiu hoje, numa reação ao inquérito desenvolvido pela Sociedade Portuguesa de Oncologia junto de 600 profissionais, que "há muito a fazer" para corrigir as assimetrias regionais em termos de prevenção e tratamento do cancro, admitindo também a necessidade de reforçar a capacidade de resposta cirúrgica.

No entanto, Paulo Macedo sublinhou que os resultados na área oncológica em Portugal "comparam com o que de melhor se faz na Europa e no mundo". "Os resultados em Portugal estão ao nível do melhor que há", enfatizou, segundo a Lusa.

Paulo Macedo reconheceu que "as assimetrias são um problema" e "têm de ser combatidas", nomeadamente através de incentivos à fixação de médicos no interior. Anunciou, a esse propósito, que a região norte será a primeira do país com uma cobertura a 100% de médicos de família.

O governante aludiu ao investimento que o Governo está a fazer na atualização e modernização de toda a área da radioterapia, na manutenção da área da quimioterapia "de acordo com as melhores práticas" e no aumento da capacidade de resposta em termos de cirurgias.

"Relativamente às cirurgias, melhorámos os tempos de resposta, mas somos sistematicamente pressionados, porque temos mais pessoas a procurar", referiu, para vincar que esta é uma área em que é "claramente" preciso "melhorar e fazer esforço constante".

Disse que vão ser melhoradas as condições nos blocos operatórios dos institutos portugueses de Oncologia (IPO) de Coimbra e de Lisboa, "que são os que precisam mais". Os três IPO vão beneficiar de um investimento de 40 milhões de euros, ficando assim dotados de "adequados" meios e infraestruturas.

O ministro reiterou que os resultados oncológicos em Portugal "estão ao nível do melhor que há" no mundo, mas lembrou que a prevenção é "a área prioritária".

Nesse sentido, destacou a nova lei do tabaco, aprovada na quinta-feira, para dar "melhor informação" aos fumadores e para proteger os fumadores ativos e passivos. "Foi mais um passo na prevenção", referiu, sublinhando que 7 a 8 por cento dos tumores nos pulmões resultam do tabaco.

Paulo Macedo falava em terras de Bouro, à margem da inauguração do novo Centro de Saúde local.