A freguesia lisboeta de Santo António inaugura, em julho, o Espaço Júlia, que visa preencher “uma falha” no apoio às vítimas de violência doméstica, não só naquela zona como em toda a cidade, segundo a autarquia.

“Fomos ao encontro das necessidades que encontrámos”, pois existem “alguns casos de violência doméstica na freguesia e queríamos arranjar uma solução local para um problema nacional”, disse à agência Lusa o presidente da Junta de Freguesia de Santo António, Vasco Morgado.

Criado em parceria com a Polícia de Segurança Pública (PSP) e com o Centro Hospitalar de Lisboa Central – com quem a autarquia assinou hoje um protocolo de cooperação –, o Espaço Júlia vai funcionar 24 horas por dia, durante todo o ano, na Rua Luciano Cordeiro.

Segundo a informação hoje divulgada pela junta, o nome do equipamento traduz-se numa homenagem a uma idosa que vivia naquela rua e que foi assassinada pelo marido, com quem era casada há mais de 30 anos, a 25 de setembro de 2011. Tinha 77 anos.

O espaço vai estar equipado com três gabinetes, onde estarão técnicos especializados no apoio à vítima (inicialmente serão oito, que trocarão de turnos entre si), e com uma área dedicada às crianças.

No local, estarão também agentes da PSP, da primeira divisão, onde, no último trimestre do ano passado, foram apresentadas 53 queixas relacionadas com violência doméstica, assinalou Vasco Morgado.

“A abertura do espaço vai colmatar uma falha que a PSP tem”, explicou o autarca social-democrata, frisando que “não existe nenhum posto de atendimento” semelhante no país.

O projeto, da autoria do departamento de Ação Social da Junta, vai funcionar em instalações junto à entrada do Hospital Santo António dos Capuchos, cedidas pelo Ministério da Saúde, e que vão ser requalificadas pela autarquia.

Em causa está um investimento inicial de cerca de 50 mil euros, para obras e equipamentos, de acordo com o presidente da junta.

Vasco Morgado sublinhou que esta iniciativa “não é fechada” nem àquela área da cidade nem à violência entre casais, podendo abranger vítimas de todos os tipos de violência.

“Queremos libertar o aspeto pesado de ter de ir à esquadra apresentar queixa”, sintetizou.

O espaço terá uma entrada independente, pelo que a Junta de Freguesia afirma assegurar a privacidade, o conforto e a segurança às vítimas que se dirigirem ao Espaço Júlia.

“É um combate eficaz e a realista a situações que todos os dias ouvimos nos cafés”, concluiu Vasco Morgado.