A direção nacional da PSP assegurou esta quinta-feira que o projeto «Esquadras Móveis», previsto para o Comando Metropolitano de Lisboa e para outros comandos, vai ser implementado, mesmo sem a ajuda das juntas de freguesia ou de outras entidades.

Em resposta escrita enviada à agência Lusa, a direção nacional da PSP explica que o projeto «terá a concretização com os recursos já existentes, não estando dependente de outras entidades, sendo a sua materialização no tempo efetuada, segundo critérios de necessidade, oportunidade e adequação operacional».

O esclarecimento surge após a polícia ter enviado uma carta ao presidente da Junta de Freguesia de Carnide, em Lisboa, a solicitar apoio para a aquisição de uma carrinha monovolume, com a caracterização padrão da PSP, com a inscrição «Esquadra Móvel» e adaptada para permitir o atendimento no seu interior. Fábio Sousa (CDU) classificou o pedido de «ridículo», o qual se insere na reorganização das esquadras da PSP em Lisboa, acrescentando que iria responder negativamente.

Na carta, remetida há cerca de duas semanas e à qual a Lusa teve acesso, a PSP explica que o objetivo é criar uma «esquadra móvel», que «circule e estacione em áreas de grande afluxo de pessoas ou em locais de realização de grandes eventos» e para se deslocarem a locais habitados por pessoas com limitações físicas ou com dificuldades em se deslocarem à PSP.

«Com estas viaturas e respetivas tripulações, pretende-se aproximar a polícia das pessoas, reforçar o sentimento de segurança e, sobretudo, melhorar o atendimento tornando-o mais interativo, personalizado e humanista. (...) Seria muito importante, senão mesmo decisivo, poder contar com o apoio de V. Ex.ª, nomeadamente no processo de aquisição e adaptação de veículos», lê-se na missiva.

Na resposta enviada à Lusa, a polícia sublinha que o projeto «Esquadras Móveis», a concretizar no Comando Metropolitano de Lisboa e noutros comandos, decorre de uma opção de gestão interna de recursos da PSP, com vista à sua rentabilização.

«O que se pretende, efetivamente, é maximizar a maior mobilidade e flexibilidade destes meios permitindo aproximar o atendimento policial das populações não apenas nos momentos e locais onde ocorram grandes eventos, mas também, em sede da facilitação do acesso das pessoas à polícia, nomeadamente daquelas que, em função da idade ou de outra qualquer circunstância, vejam a sua mobilidade reduzida», explica a DN da PSP.

A reorganização policial de Lisboa prevê o encerramento de 14 esquadras na cidade, em locais como Rossio, Mouraria, Santa Marta, Rato, Arroios, Zona I, Chelas Zona J, Bairro da Horta Nova, Bairro Padre Cruz, Carnide, Calvário, Quinta do Cabrinha, Campolide e Serafina.

Nesses locais, vão abrir outras seis, nomeadamente na Baixa Pombalina, Palácio da Folgosa, na estação do Metropolitano do Marquês de Pombal, em Campolide, no Lispólis (Lumiar) e em Alcântara.

O objetivo da proposta, segundo o ministro da Administração Interna, é ter «mais visibilidade das forças de segurança», «maior proximidade e maior intensidade de patrulhamento» e «menos elementos policiais dedicados a atividades de logística e administrativa».

A proposta da reorganização das esquadras em Lisboa, elaborada pelo Governo e pela PSP, foi aprovada a 28 de maio em reunião de câmara, sob contestação de moradores e do presidente da Junta de Freguesia de Carnide.