Toneladas de pequenas tampas de plástico foram juntas por crianças e alguns adultos para formar no chão do Parque das Nações uma enorme bandeira de Portugal, para apoiar a seleção nacional, obter cadeiras de rodas e promover a reciclagem.

Desde cedo, de manhã, começaram a juntar-se os voluntários, principalmente crianças, de escolas e de grupos de escuteiros, mas também agentes da PSP, entidade da qual partiu a ideia de recolher tampinhas com as cores da bandeira de Portugal.

Depois de os mais velhos terem feito o centro da bandeira, a parte mais difícil, os mais novos espalharam as pequenas tampas verdes e vermelhas ao longo do rectângulo de 45 por 30 metros, usando «os pés e vassouras para nivelar», como descreveu à agência Lusa Margarida, de 12 anos, escuteira de um agrupamento do Parque das Nações, em Lisboa.

«É para dar apoio à seleção nacional [no Mundial de Futebol], para participar no Guiness, o que vai dar visibilidade ao país e prémios, mas também vai reverter para cadeiras de rodas», explicou Margarida.

A iniciativa da PSP, com apoio das juntas de freguesia dos Olivais e do Parque das Nações, da Meio Arena, do Aki, da Associação Abraço Positivo e de alguns grupos de escuteiros desta área de Lisboa, levou à recolha de tampas de plástico.

«Foram muitos os parceiros que colaboraram voluntariamente na mobilização das pessoas para esta causa comum, para alertar para a reciclagem, com o símbolo das tampinhas, convertíveis [em cadeiras de rodas], e tentar entrar no Guiness», explicou à agência Lusa Rui Costa, do comando metropolitano de Lisboa da PSP.

Questionado acerca da polémica vindo a público em maio, com os sindicatos da polícia a denunciarem que os agentes da PSP tinham recebido ordens para participar na iniciativa, no tempo de serviço e de folga, Rui Costa disse que foi aberto um inquérito para esclarecer a situação.

«Desde o início, o projeto foi mobilizar a sociedade civil e os polícias, mas em regime de voluntariado, nos dias de folga», salientou.

Diogo, de 12 anos, veio com o amigo Gonçalo, de 13 anos, que se inscreveu na sua escola, no Parque das Nações, porque considera ser importante reciclar «para gastar menos e não poluir o ambiente».

Para Gonçalo, «como 10 de junho é o Dia de Portugal, é oportuno alertar o pais para dar a quem necessita, como acontece através das tampinhas».

O aquecimento global foi a referência apontada para justificar a necessidade de reciclar e evitar a poluição por Isabel de 13 anos, que veio com a amiga Joana cuja mãe é agente da polícia.

O apoio à seleção, que «muda muito o esforço dos jogadores», e a importância da reciclagem foram os pontos mais referidos pelos pequenos voluntários, embora nem todos façam a seleção do lixo em casa.

Mas, «a caridade» também foi uma razão «porque as pessoas não têm todas as mesmas possibilidades e, assim, sentem-se mais apoiadas», como disse a escuteira Francisca, de 13 anos.

À volta da megabandeira estavam muitos agentes da PSP, uns fardados e outros não, e outras personalidades públicas, como os ex futebolistas Futre e Shéu, e no espaço foram realizadas outras atividades como a demonstração dos cães do Grupo Operacional Cinotécnico.