A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) manifestou esta terça-feira «total repúdio» pelos cortes nos vencimentos, considerando que vão agravar-se com o aumento dos descontes para o subsistema de saúde (SAD).

Os cortes nos vencimentos, o aumento para 3,5 por cento dos descontos para a SAD/GNR, serviços sociais da GNR, e alterações à Lei Orgânica da Guarda Nacional Republicana foram alguns dos assuntos abordados na reunião entre os dirigentes da APG e o secretário de Estado Adjunto da Administração Interna, Fernando Alexandre.

«A APG/GNR demonstrou o seu total repúdio contra os cortes nos vencimentos que, caso vingue o aumento do desconto para SAD/GNR, ainda se agravarão mais», refere a APG num comunicado, sublinhando que os militares da GNR não podem ser considerados funcionários públicos como os restantes, tendo em conta o risco da profissão e que não têm direito a um horário de trabalho.

Na reunião, a APG/GNR informou a tutela de que «não cederá ou recuará enquanto não for reposto o poder de compra» aos militares da GNR, mantendo, por isso, a manifestação nacional marcada para 27 de fevereiro, em Lisboa.

«É a dignidade profissional que está em causa», adianta a associações profissional mais representativa da Guarda, manifestando também o «total desacordo» com aumento para 3,5 por cento dos descontos para a SAD, além de defender que os conjugues deviam voltar a beneficiar deste subsistema de saúde.

A reunião da APG/GNR com o secretário de Estado insere-se nos encontros que as associações socioprofissionais da GNR e os sindicatos da PSP estão a realizar com o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo.

A APG/GNR foi a única associação recebida pelo secretário de Estado, pois Miguel Macedo não se reúne com a Associação dos Profissionais da Guarda, desde uma manifestação da associação, organizada em março de 2012, junto ao Ministério.

Sindicato da PSP diz que Miguel Macedo manifestou abertura para minimizar cortes

O Sindicato Nacional da Polícia (Sinapol) disse que o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, manifestou abertura para encontrar soluções que minimizem os cortes salariais dos polícias.

No final de uma reunião com Miguel Macedo, o presidente do Sinapol, Armando Ferreira, disse à agência Lusa que o ministro quer encontrar, em conjunto com os sindicatos da polícia, soluções que consigam «colmatar os cortes salariais».

O ministro da Administração Interna esteve reunido, esta terça-feira à tarde, com vários sindicatos da PSP, sendo os cortes salariais e o aumento da comparticipação para o subsistema de saúde (SAD/PSP), os assuntos em destaque.

Segundo Armando Ferreira, Miguel Macedo não avançou com propostas para minimizar os cortes salariais dos polícias, mas manifestou abertura para uma negociação com os sindicatos.

Nesse sentido, está prevista uma nova reunião para 07 de fevereiro.

Apesar da abertura manifestada pelo ministro, Armando Ferreira adiantou que as ações de luta vão continuar, nomeadamente a colocação, em todas as capitais de distrito do país, de 200 cartazes nos quais se pode ler: «A paciência tem limites e a nossa acabou!» e «Connosco a luta continua enquanto não nos respeitarem».

Além do Sinapol, participaram na reunião com Miguel Macedo a Associação Sindical Autónoma de Polícia (ASAPOL), o Sindicato Nacional da Carreira de Chefes Polícia (SNCC-PSP), a Federação Nacional dos Sindicatos de Polícia (FENPOL), o Sindicato Unificado de Polícia (SUP/PSP) e o Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP/PSP).

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), maior sindicato da PSP, recusou reunir-se com o ministro da Administração Interna por se tratar de uma reunião conjunta entre sindicatos que tem como objetivo «cumprir calendário».

A ASPP considerou também discriminatório que o sindicato dos oficiais tenha uma reunião a sós com o ministro, referindo que a ASPP representa todas as classes, nomeadamente oficiais.