Quase 35% dos 2.490 docentes inscritos na prova de avaliação, que entregaram um exame válido, reprovaram no teste, e quase 290 obtiveram a sua segunda reprovação, na prova realizada em dezembro passado, revelou o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE).

Os dados constam de um relatório divulgado esta segunda-feira pelo IAVE, com os resultados obtidos na prova de avaliação de capacidades e conhecimentos (PACC) realizada em dezembro, e para a qual estavam inscritos 2.863 candidatos, mas da qual apenas foram validadas 2.490 provas.

Além de 360 faltas, houve ainda 10 desistências e três anulações de provas.

Segundo o IAVE, 34,3% dos candidatos reprovaram na prova e, entre esses, há quase 290 candidatos - cerca de 11 por cento do total -, que reprovaram pela segunda vez, depois de terem chumbado na prova realizada em dezembro de 2013, ou em julho de 2014.

Do total de provas válidas, 1.636 tiveram uma classificação positiva (acima dos 50 pontos, até um máximo de 100), e 854, uma classificação negativa.

A média das classificações fixou-se pouco acima do limiar da positiva dos 50 pontos, com um registo de 56,2 pontos.

Apenas os aprovados na prova de dezembro passado, correspondente à componente comum da PACC, podem agora inscrever-se para realizar a componente específica, que tem em conta os grupos de recrutamento nos quais os professores lecionam ou pretendem lecionar.

Separando os inscritos na PACC, entre os que estavam a realizar a prova pela primeira vez, e aqueles que iam realizar o exame pela segunda vez, são os deste último grupo que obtém os piores resultados na prova de dezembro, com uma taxa de reprovação de 53,1% e um resultado médio de 48,9 pontos.

Quase metade dos docentes obteve uma classificação entre os 50 pontos e os 69,9 pontos.

No que diz respeito apenas ao item de resposta que obrigava os professores à produção de um texto, 21,9% teve uma classificação de zero pontos, mas a pontuação média foi de 10,1 pontos, em 20 pontos possíveis.

Neste item foi ainda possível identificar que mais de 65% dos professores deu pelo menos um erro ortográfico, chegando quase aos 20% a percentagem de docentes que escreveu um texto com cinco ou mais erros de ortografia.

Também apenas um conjunto de 36,4% dos professores não deu qualquer erro de pontuação, e foram 16% os que deram cinco ou mais erros deste tipo.

Nos erros de sintaxe, o desempenho dos professores melhorou substancialmente, com quase 50% a produzirem um texto sem cometer qualquer falha.

A PACC, realizada por todos os docentes contratados com menos de cinco anos de experiência, é condição essencial para aceder à carreira docente.

A prova, uma das bandeiras políticas do ministro da Educação, Nuno Crato, que a defende como condição essencial para melhorar a qualidade do ensino nas escolas portuguesas, tem sido alvo de forte contestação sindical, tendo a sua primeira edição, em 2013, motivado protestos que obrigaram a tutela a agendar uma segunda data para a realização da componente comum para todos aqueles que foram impedidos de a fazer na data marcada.

As dificuldades criadas pelos protestos, mas também pelas providências cautelares interpostas pelos sindicatos, e aceites em tribunal, levaram a que a componente específica da PACC não se realizasse no ano passado.

A PACC e a forma como tem decorrido a sua aplicação já mereceram apreciações negativas do provedor de Justiça e um parecer muito crítico do Conselho Científico do IAVE, o organismo responsável pela sua aplicação.