Os sindicatos de professores decidiram esta sexta-feira, numa reunião em Coimbra, voltar a unir-se, à semelhança do que aconteceu com a greve de junho, desta vez para contestar a prova de avaliação docente.

«Decidimos convergir em todas as ações que estavam previstas, para terem ainda mais força e criar-se a mesma dinâmica da greve de professores que aconteceu em junho. O que era de um passa a ser de todos», disse à Lusa o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, depois de terminada a reunião que decorreu esta tarde em Coimbra.

A Fenprof, a Federação Nacional de Educação (FNE) e outros sete sindicatos de menor dimensão - SINDEP, SINAPE, SEPLEU, SPLIU, SIPE, SIPPEB e ASPL - tomaram a decisão de, durante as próximas semanas, agir conjuntamente para «travar a prova».

Sublinhando que a prova de avaliação docente «não é um problema só dos professores contratados, mas de todos os professores», Mário Nogueira referiu que, numa altura em que ainda decorre o período de inscrições na avaliação de docentes, os professores deveriam aguardar o resultado das providências cautelares interpostas em tribunal, cujo resultado deve ser conhecido na próxima terça-feira, a dois dias do fim do prazo para os professores se inscreverem.

O líder da Fenprof lembrou que caso o tribunal decida a favor dos sindicatos a prova nem se deve realizar.

Se os tribunais não derem razão aos sindicatos, as estruturas representativas dos professores fazem «um apelo conjunto» para uma «grande presença» na Assembleia da República a 05 de dezembro, naquele que Mário Nogueira considerou ser um «momento extremamente importante», que é o dia em que vai decorrer a discussão e aprovação em plenário do decreto-lei da prova de avaliação docente.

Os sindicatos apelam ainda que os professores recorram aos endereços eletrónicos dos deputados da comissão parlamentar de Educação para enviar aos deputados que a integram as suas exposições justificando porque entendem que a prova não se deve realizar.

Caso a prova seja aprovada em plenário pelo deputados, os sindicatos entregam no dia 06 de dezembro, no Ministério da Educação e Ciência, os pré-avisos de greve para dia 18, data para a qual foi agendada a componente comum do exames dos professores.

Os sindicatos apelam ainda a que os professores se recusem a participar na correção e vigilância das provas e a que façam greve.

«No dia 18 esperamos que a greve tenha o impacto que teve a de junho», afirmou Mário Nogueira.

Os professores que na construção do texto da Prova de Avaliação tenham mais de dez erros de ortografia, de pontuação ou de morfologia serão classificados com zero valores nesse item, segundo o Guia da Prova divulgado na noite de quinta-feira.

A componente comum da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC) será composta por 32 itens de seleção (escolha múltipla) e um «item de construção», no qual é pedido aos docentes que escrevam um texto segundo o Acordo Ortográfico atualmente em vigor com um número de palavras compreendido entre 250 e 350.

A associação dos professores contratados já considerou o guia da prova «absurdo e redutor». A Fenprof entende que se trata de «uma idiotice», e a FNE argumenta que este «vem confirmar a inutilidade da prova».

Além dos sindicatos da Fenprof e da FNE os outros sete que aderiram ao protesto são o Sindicato Nacional e Democrático dos Professores (SINDEP), o Sindicato Nacional dos Profissionais da Educação (SINAPE), o Sindicato dos Educadores e Professores Licenciados pelas Escolas Superiores de Educação e Universidades (SEPLEU), Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades (SPLIU), o Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE), o Sindicato dos Educadores e Professores do Ensino Básico (SIPPEB) e a Associação Sindical de Professores Licenciados (ASPL), escreve a Lusa.