A greve de professores convocada por sete organizações sindicais, incluindo a Fenprof, e concentrações à porta das escolas voltam a envolver a realização da prova de avaliação de capacidades e conhecimentos (PACC), agendada para esta sexta-feira, em polémica e contestação.

«Estamos a mobilizar muitos colegas e a apelar a que se concentrem à porta das escolas onde vai decorrer a PACC, possivelmente numa escola por cidade ou região», disse à Lusa André Pestana, do movimento Boicote&Cerco, que já tinha sido responsável pela organização de vários protestos na primeira edição da prova, em dezembro de 2013.


As concentrações estão marcadas para as 13:30, uma hora antes daquela em que os professores inscritos têm de se apresentar nas escolas para realizar a prova, agendada para as 15:00, em cerca de 80 escolas de todo o país.

O objetivo das concentrações, referiu André Pestana, «é permitir uma troca de ideias entre os professores».

O membro do grupo Boicote&Cerco voltou a defender que a prova «é uma humilhação para todos os professores», e uma tentativa de dividir «uma classe profissional que é muito representativa dentro da função pública, sobretudo numa altura em que se aplicam cortes e se insiste na austeridade».

«É mais fácil justificar cortes na educação, dando a ideia de que os professores não estão preparados», disse André Pestana, afirmando que o objetivo do Ministério da Educação e Ciência (MEC) é «atirar areia para os olhos».


Isto porque, sublinhou, são pouco mais de 300 os professores que fizeram a PACC no ano passado e que estão este ano a dar aulas e, ainda assim, em horários incompletos.

«Mesmo fazendo a prova, a esmagadora maioria não vai conseguir colocação», disse, acrescentando que «não é uma prova que se faz em minutos que se consegue separar o trigo do joio», e que a maioria dos docentes no sistema não é alvo desta avaliação, o que na opinião de André Pestana, invalida o argumento usado por Nuno Crato, de que a PACC contribui para elevar a qualidade do ensino público.

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) e outros seis sindicatos de professores convocaram greve a todo o serviço à PACC, o que poderá deixar as escolas sem professores disponíveis para vigiar quem faça a prova, num cenário de adesão total, inviabilizando a realização da avaliação.

No pré-aviso de greve entregue, as organizações sindicais classificaram a prova como «uma praxe injustificável a que o MEC continua a querer submeter os docentes e a profissão».

A Fenprof tem desenvolvido ações de divulgação da greve nas escolas, distribuindo panfletos pelos professores.

Em conferência de imprensa na passada semana, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, afirmou que acredita numa grande adesão dos docentes à greve: «Os professores percebem porque é que esta greve é importante e estamos convencidos que teremos uma boa adesão».

O presidente da Associação Nacional dos Professores Contratados (ANVPC), César Paulo, disse à Lusa que espera uma forte adesão: «Os professores têm de perceber que a luta não está ganha».

A associação acredita que este é um momento para o MEC reconsiderar e retirar a exigência da prova aos professores contratados do Estatuto da Carreira Docente.

E acredita também que se não o fizer, a PACC «acabará por morrer», uma vez que, depois de 13 mil inscritos na primeira edição, este ano há menos de três mil inscritos.

«Chegaremos a uma situação em que teremos apenas um número residual de professores a fazer a prova», disse.


A prova destina-se a professores contratados com menos de cinco anos de serviço e é condição necessária para se poderem candidatar a um lugar nas escolas.