Cerca de uma centena de pessoas, entre utentes e representantes sindicais, protestaram este sábado em Cantanhede, distrito de Coimbra, contra a eventual privatização do hospital local, apesar do Governo ter negado essa intenção.

A porta-voz do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP), Fátima Pinhão, disse à Lusa estranhar as declarações do secretário de Estado Adjunto da Saúde, que garantiu que o receio da privatização do Hospital de Cantanhede «não tem razão de ser» e que a única possibilidade é a cedência da gestão à Misericórdia local.

»Isso é um bocado estranho, porque a Misericórdia de Cantanhede é privada. Ou querem enganar as pessoas ou estão a recuar na privatização», afirmou.

Sexta-feira, em Coimbra, o secretário de Estado Adjunto da Saúde, Fernando Leal da Costa, frisou que o hospital «mantém-se no Serviço Nacional de Saúde», e que «as pessoas com vínculo ao Estado continuam com esse vínculo». «Não se trata de nenhuma privatização, porque o Estado não vai vender o hospital a um operador privado», disse o governante, referindo que «aquilo que se discute é a devolução da gestão à [Santa Casa da] Misericórdia», como já aconteceu nos hospitais de Fafe, Anadia e Serpa.

O secretário de Estado disse ainda ter «dúvidas» que o processo de cedência da gestão do Hospital de Cantanhede esteja terminado «até ao final de 2015», sendo uma «negociação complexa», em que se tem de avaliar se a devolução da gestão passa a ser uma «mais-valia».

A iniciativa deste sábado incluiu uma caravana automóvel pelas freguesias de Febres e Cantanhede e Pocariça e uma vigília em frente à Câmara Municipal.

O protesto seguiu-se à promoção de um abaixo-assinado que reuniu, de acordo com o MUSP, mais de 5.000 assinaturas, e que foi entregue na Assembleia da República.

Também a concelhia do Partido Socialista de Cantanhede, em comunicado, associou-se ao protesto de hoje, lembrando que aquela força política realizou, nos últimos dois anos, desde dezembro de 2012, 18 ações que visam manter o hospital Arcebispo João Crisóstomo no Serviço Nacional de Saúde.

Em novembro, dirigentes socialistas enviaram uma carta ao ministro da Saúde Paulo Macedo convidando-o a visitar a unidade de saúde «bem como a prestar todas as informações e esclarecimentos que se impõem» sobre o processo.