Os trabalhadores de ‘handling’ da Portway e SPdH/Groundforce realizam uma ação de luta conjunta denominada Marcha do Handling na próxima quarta-feira, em Lisboa, para exigirem a negociação de um contrato coletivo de trabalho que “traga estabilidade”.

Cumprindo a decisão dos plenários de trabalhadores realizados a 18 de abril, o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) convocou uma ação de protesto conjunta dos trabalhadores de ‘handling’ (assistência nos aeroportos), que se irão concentrar no Aeroporto de Lisboa, para também exigirem o fim da precariedade e dos baixos salários, que atinge mais de 1.600 trabalhadores do setor.

O sindicato marcou também uma greve para o setor do 'handling para 04 de maio', que, que na Portway se cumpre entre as 05:00 e as 17:00 horas, enquanto na empresa SPdH/Groundforce realiza-se entre as 10:00 e as 15:00 horas.

“Todos temos a responsabilidade de não permitir a destruição deste setor, dos postos de trabalho e das empresas”, refere o SITAVA, sindicato afeto à CGTP, em comunicado.

“No passado foram 336 [trabalhadores] da SPdH em Faro. Depois da Portway/Vinci também em Faro. Agora querem [despedir] mais 256 da Portway/Vinci em todo o continente”, salienta.

Na quarta-feira, o presidente do Conselho de Administração da Portway disse que a empresa de ‘handling' esperava readmitir os trabalhadores afetados pelo despedimento coletivo dentro de quatro a cinco anos, quando recuperasse os atuais níveis de atividade.

Jorge Ponce de Leão, que foi ouvido na comissão parlamentar de Trabalho e Segurança Social, no âmbito de um processo de despedimento coletivo que afeta 256 trabalhadores, garantiu que a Portway tem "a expetativa" de recuperar a atividade que tinha, antes de rescindir o contrato de prestação de serviços com a companhia aérea Ryanair, "em quatro a cinco anos" e voltar a admitir os funcionários.

O responsável da Portway salientou ainda que os trabalhadores não deverão sentir grandes alterações no seu rendimento disponível durante este período, já que poderão acumular parte da indemnização, com a possibilidade de trabalharem para a Ryanair - que vai passar a fazer 'self-handling - ou de serem usados em contratos temporários, atendendo aos picos de atividade dos aeroportos.

No mês de agosto, a Portway tem 4,5 vezes mais atividade do que em janeiro, exemplificou.

O presidente da Portway adiantou ainda que o critério para o despedimento não foi a antiguidade dos trabalhadores, e sim os que auferiam salários mais elevados, pelo que irá pagar um montante de indemnizações 15 vezes mais elevado.

Ponce de Leão reforçou que um terço da atividade da Portway dependia da Ryanair e, a partir da altura em que a transportadora 'low cost' [de baixo custo] irlandesa passou a dispor dos "instrumentos adequados para aceder ao 'self handling'", soube que iria "inevitavelmente" terminar o contrato, até porque se recusou a aceitar as exigências da companhia aérea que pretendia uma redução de 30% das tarifas.

Referiu ainda que qualquer empresa pode exercer 'self-handling' a partir do momento em que tenha as licenças necessárias e que a gestora dos aeroportos ANA - a que também preside - não poderia negar a atribuição da licença à Ryanair, depois da autoridade reguladora (ANAC) o fazer.

A Portway deixou de prestar serviços à Ryanair no aeroporto de Faro no final de março e o mesmo acontecerá em junho, no do Porto, e em outubro, no aeroporto de Lisboa.

Segundo a Portway, no aeroporto de Faro estão em causa 26 trabalhadores a tempo inteiro e 28 a tempo parcial (40 postos de trabalho), em Lisboa 61 a tempo inteiro e 20 parcial (71 postos de trabalho) e no Porto 76 a tempo inteiro e 46 trabalhadores a tempo parcial (99 postos de trabalho parcial).

O processo negocial com os trabalhadores envolvidos inicia-se na próxima semana e alguns já se ofereceram para rescindir com a empresa, adiantou Ponce de Leão, salientando que não está "disponível para suspender o processo", mas sim para minimizar o impacto social do despedimento coletivo.