Cerca de 30 representantes dos trabalhadores do setor dos transportes realizaram esta quinta-feira em Lisboa um protesto que terminou na Assembleia da República, onde entregaram um pedido de reunião com a comissão de Economia e Obras Públicas.

O protesto começou no Largo Camões, de onde os representantes dos trabalhadores partiram cerca das 15:00 gritando palavras de ordem como «Está na hora, está na hora, de o Governo ir embora», «O público é de todos, o privado é só de alguns» ou «Fartos de aldrabões, queremos eleições».

Além das palavras de ordem, os manifestantes empunhavam faixas onde podiam ler-se frases como «Não à destruição da economia nacional. Privatizar a TAP é crime», «Pelo salário e trabalho com direitos. Por uma Carris ao serviço da população» e «Governo rua, basta de roubar os trabalhadores e o povo».

O objetivo do protesto de hoje foi, de acordo com José Manuel Oliveira, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), «entregar na comissão de Economia e Obras Públicas um pedido de reunião» para «transmitir um conjunto de evidências que se começam a demonstrar decorrentes deste plano de privatização que o Governo tem para os transportes de Lisboa, para a TAP e para os transportes do Porto».

Além disso, os representantes dos trabalhadores querem também dizer aos deputados o que pensam «relativamente àquilo que o Governo quer legislar sobre a regulamentação das empresas de transportes de passageiros».

«A concretizar-se aquela legislação, acaba o conceito de transporte público em Portugal» e agrava-se a inexistência de «um sistema de transportes que articule os diversos meios de transportes entre si», afirmou o sindicalista, acrescentando que passam a existir «um conjunto de entidades que se vão sobrepor sobre si, não resolvendo absolutamente nada».

O secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Silva Monteiro, anunciou no final de fevereiro que a subconcessão das operações do Metro de Lisboa e da Carris deverá estar concluída até ao final de julho, no seguimento do concurso público internacional cujo lançamento estava previsto para 15 de março.

A Carris e o Metro têm uma administração comum desde o início do ano, que partilham ainda com a Transtejo/Softlusa, mas esta última ficou fora desta proposta de concessão.