Cerca de 100 técnicos de diagnóstico e terapêutica, em greve por tempo indeterminado desde dia 2 de novembro, protestaram esta quinta-feira, no Porto, pela regulamentação da carreira profissional que esperam há 18 anos.

Empunhando faixas onde se lia “Não somos licenciados de segunda”, “Direito à igualdade”, “Hospital parado” ou “Discriminação não”, os profissionais gritavam “Vergonha” e “Igualdade”, deixando claro que irão continuar parados até quando o Governo de António Costa quiser.

Vamos até onde o Governo quiser, ao fim de 18 anos chegou o momento de dizer basta”, disse aos jornalistas o presidente do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas do Diagnóstico e Terapêutica, Almerindo Rego, em frente ao Hospital São João, onde decorreu o protesto.

O sindicalista disse que os custos de revisão desta carreira não são “nada elevados” comparados com outros, por isso, não entende este impasse com prejuízos para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Desde o início da greve, Almerindo Rego afirmou que foram afetados cerca de 100 mil doentes com exames, análises e tratamentos cancelados, sublinhando que esta paralisação está a ser “demolidora” para os direitos dos doentes.

Hoje, na Medicina, estamos em todas as áreas clínicas, todo o trabalho clínico depende do nosso trabalho, por isso, esta greve afeta toda a prestação de cuidados de saúde”, frisou.

Em declarações à Lusa, a técnica superior de radiologia Gina Pinto vincou que os prejuízos da greve para o SNS são “incalculáveis”, tal como para os utentes que veem os seus exames cancelados sem nova data de remarcação.

“Estamos numa dicotomia entre o que estamos a causar aos utentes e aquilo que merecemos, pelo nosso mérito e pela nossa formação académica”, frisou.

Assumindo que as repercussões da greve no salário são “grandes”, Adelina Gomes, técnica superior de análises clínicas, ressalvou que, apesar disso, é necessário porque “é hora” de o Governo tomar uma atitude.

“É urgente minimizar a injustiça de que temos sido vítimas estes anos todos”, acrescentou.

Os técnicos de diagnóstico e terapêutica são constituídos por 19 profissões e abrangem áreas como a cardiologia, análises clínicas, radiologia, fisioterapia, farmácia ou cardiopneumologia, num total de 10.000 profissionais em exercício nos serviços públicos.

Estes profissionais começaram, a 02 de novembro, uma greve por tempo indeterminado, um protesto que pretende exigir a reposição do acordo que os sindicatos do setor dizem ter sido “violado pelo Governo”.

Segundo os sindicalistas, tinha sido acordado entre sindicatos e Governo uma quota de 30% de lugares de topo de carreira para os profissionais de diagnóstico e terapêutica. Contudo, em Conselho de Ministros, essa quota foi diminuída para 15%, uma situação que os está a indignar.