Mais de meia centena de suinicultores estão concentrados, desde as 10:00 desta quinta-feira, junto ao Tribunal de Alcobaça, numa ação de solidariedade para com os dois manifestantes detidos na terça-feira e são hoje presentes ao juiz local.

Vitor Menino, presidente da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultura, justificou a presença dos empresários como “um ato de solidariedade para com os colegas, um deles barbaramente agredido pelas forças policiais” durante a manifestação realizada na terça-feira.

Os dois suinicultores, Dinis do Carmo, de 25 anos, e Luis Rodrigues, de 51, foram detidos na noite de terça-feira, durante um corte de estrada ao quilómetro 92 do IC2 (itinerário complementar 2), próximo da localidade de Casal da Charneca, em Évora de Alcobaça.

Em comunicado emitido na quarta-feira, a GNR justificou a detenção com alegadas agressões aos militares que, no local, tentavam “manter a ordem pública” e evitar riscos para o operador de uma máquina que procedia à retirada de brita que os manifestantes tinham despejado na via.

Os dois detidos negam as acusações e o mais velho, Luis Rodrigues, que sofreu ferimentos durante os confrontos, disse à Lusa ter sido vítima de “vários pontapés” desferidos por militares da GNR.

Os manifestantes acusam ainda a GNR de “ter invadido uma propriedade privada”, pertencente à família de Dinis do Carmo, onde foram efetuadas as detenções.

O presidente da câmara de Alcobaça, Paulo Inácio, está também presente no tribunal, “em solidariedade com o setor”, que tem forte implantação no concelho, onde existem cerca de 400 suiniculturas que geram mais de dois mil postos de trabalho.

“Para Alcobaça é determinante que o Governo tome medidas [para inverter a crise da suinicultura], senão vamos ter uma calamidade social e económica”, afirmou o autarca à Lusa.

O protesto, que na terça-feira resultou em duas detenções e ferimentos num dos manifestantes, durou quase 12 horas, entre as 14:00 e as 01:30, e ficou marcado por um concentração junto à fábrica Carnes Nobre, em Rio Maior, no distrito de Santarém, e dois cortes de estrada no concelho de Alcobaça, o primeiro em Venda das Raparigas e o segundo em Casal da Charneca.

Dos protestos resultaram ainda danos numa máquina usada para retirar as pedras da via.