Os representantes dos suinicultores que estão a manifestar-se em Lisboa abandonaram esta quinta-feira uma reunião no Ministério da Agricultura quando perceberam que o ministro Capoulas Santos não estaria presente.

"Foi-me transmitido que o senhor ministro receberia uma delegação de cinco pessoas. Estivemos à espera até que fomos recebidos pelo assessor e pelo chefe de gabinete. Levantamo-nos e viemos embora", disse aos jornalistas João Correia, um dos representantes dos suinicultores.

No entanto, os suinicultores deixaram um “presente” ao ministro, um porco bebé dentro de uma caixa de transporte de animais.

Num comunicado divulgado entretanto pelo gabinete do ministro da Agricultura, pode ler-se que o ministro Capoulas Santos “tem estado, e continuará a estar, solidário com os produtores portugueses de carne de porco e empenhado na busca de soluções, tanto no plano nacional como no plano comunitário, que possam contribuir para atenuar os efeitos da crise, que infelizmente atinge o setor a nível europeu”.

O ministro, de acordo com o documento, “desenvolveu um conjunto de iniciativas, tanto na frente interna como na frente externa, designadamente em Bruxelas e Moscovo, com o objetivo de contribuir para a elaboração de soluções comunitárias para a crise que se estende a todo o setor, a nível europeu”.

Neste âmbito, Capoulas Santos apresentará na segunda-feira, na reunião do Conselho de Ministros da Agricultura da União Europeia, que decorrerá em Bruxelas, um “conjunto de propostas” tendo em vista a resolução do problema.

Os suinicultores exigem medidas de apoio ao setor, nomeadamente uma linha de crédito bonificado e que Portugal exija na União Europeia o fim do embargo à Rússia.

Os contestatários querem ainda que as autoridades portuguesas trabalhem para abrir novos canais de exportação.

"Os políticos que assumam que o setor de suinicultura não interessa a Portugal, mas se é assim que o digam e aí teremos 200 mil pessoas a apresentar-se nos centros de emprego", disse João Correia.

De acordo com os suinicultores, o mercado europeu tem excesso de oferta, o que está a baixar ainda mais o preço, obrigando os produtores a venderem a carne de porco abaixo do custo de produção.

"Por semana entram em Portugal 25 mil porcos vivos e mais de um milhão de quilos de carne apenas vindos de Espanha", disse João Correia.

Os representantes dos suinicultores vão reunir-se em seguida para decidir o que fazer, enquanto dezenas de pessoas continuam concentradas em protesto em frente ao Ministério da Agricultura, em Lisboa, com cartazes e bandeiras negras, com a polícia a reforçar a presença no local.

João Correia afirmou que na reunião será decidido quais serão as próximas ações de luta, numa altura em que os camiões de suinicultores estão nos acessos de entrada e saída de Lisboa.

PSP impede camiões de chegarem ao centro de Lisboa por questões de segurança

A Polícia de Segurança Pública está a impedir os camiões de suinicultores de rumarem ao centro da cidade de Lisboa por questões de segurança, disse à agência Lusa o Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP.

“Estamos a fazer todos os esforços para impedir que eles [suinicultores] saiam daqueles eixos fundamentais, como a Segunda Circular e o Eixo Norte-Sul, e que entrem nas avenidas [centro] de Lisboa”, explicou o porta-voz do Cometlis, cerca das 17:00.

 

De acordo com o comissário Rui Costa, esta decisão prende-se unicamente com questões de segurança: “se eles [suinicultores] o fizerem corremos o risco de ficarem impedidas avenidas fundamentais da cidade de Lisboa e que os cidadãos da cidade não tenham capacidade de mobilidade, e a segurança deles fica comprometida, nomeadamente em relação à saída de veículos de emergência e socorro”, sublinhou este oficial.

O mesmo oficial acrescenta que a PSP está a encaminhar os camiões dos suinicultores para a Avenida Santos e Castro, na Alta de Lisboa. Os camiões estão a ser encaminhados para esta zona da cidade por questões de segurança, sendo que, às 17:40, o trânsito na Segunda Circular “já estava a fluir” em ambos os sentidos, disse o mesmo responsável.

De acordo com a polícia, até ao momento não se registou nenhuma situação de desacato com os manifestantes.

Cerca de 300 camiões de suinicultores do país inteiro estão esta sexta-feira a caminho de Lisboa para protestarem frente ao Ministério da Agricultura, no Terreiro do Paço, pedindo ajuda para um setor que dizem estar "à beira do colapso".

A concentração está a ser organizada pelo gabinete de crise dos suinicultores, grupo de trabalho criado no final de 2015, que quis manter este protesto em segredo, mas entretanto os camiões foram intercetados pela polícia à entrada dos principais eixos da cidade, segundo contam os responsáveis pela organização do protesto.

Entretanto, o trânsito na Segunda Circular e no Eixo-Norte Sul está já muito condicionado.