Três dezenas de empresários de diversões declaram-se esta quarta-feira dispostos a faltar às festas de Ponte de Lima, que decorrem entre os dias 10 e 15, em protesto pela «redução drástica» do tempo de permanência dos divertimentos no local.

«É o resultado da política e da pressão que a Câmara Municipal fez que ao reduzir para quatro dias de trabalho. É o mesmo que dizer vão embora», comentou Luís Fernandes, presidente Associação Portuguesa de Empresas de Diversões (APED).

A intenção dos empresários de não participarem nos festejos foi anunciada hoje de manhã, no primeiro de 11 dias de protestos promovidos pela APED em Ponte de Lima.

A contestação começou no areal, junto ao rio Lima, com uma sessão de esclarecimento que juntou cerca de meia centena de empresários e incluiu ainda uma manifestação ruidosa pelas ruas do centro histórico daquela vila.

De acordo com Luís Fernandes, numa resolução aprovada por unanimidade em abril passado e remetida à autarquia, os empresários que habitualmente participam na romaria afirmam que «desistem de participar nas Feiras Novas perante as condições insustentáveis impostas, em especial a radical redução de tempo».

Apesar desta posição, o dirigente equacionou a «hipótese» da situação ainda poder vir a ser ultrapassada. «Depende do povo e do senhor presidente», disse, admitindo que, «um ou dois empresários já terão cedido à pressão feita pela autarquia e assinado contrato para instalar os divertimentos para as festas».

A Lusa tentou a ouvir o presidente da Câmara Municipal, Vítor Mendes, o que não foi possível em tempo útil.

Em causa, segundo o responsável, está a duração da animação com que estão confrontados, este ano, cerca de 30 empresários do setor durante as festas de Ponte de Lima, que decorrem entre 10 e 15 deste mês.

Até 2011, explicou, era permitido o funcionamento das diversões durante cerca de um mês, a partir de 15 de agosto e até ao final das Feiras Novas, mas este ano apenas "podemos montar os divertimentos a partir do dia 08 de setembro e até à conclusão das festas".

«Estivemos sempre aqui cerca de um mês e o regulamento municipal sempre foi o mesmo, não adianta desculpas», sustentou.

Escusou-se a adiantar o montante dos prejuízos que os empresários podem vir a enfrentar caso não participem na romaria que todos os anos atrai milhares de pessoas a Ponte de Lima.

«Estão em causa pessoas que é a última festa que fazem para sobreviver mais seis meses. A crise afeta-nos a todos. Estamos nas mãos do poder dos autarcas. A impossibilidade do direito ao trabalho, não a aceitamos, vamos lutar».

Questionado pelos jornalistas sobre a justificação que lhes deu a autarquia para aquela redução, Luís Fernandes afirmou: «era para não colidir com a realização da feira que se realiza no município».

Contudo, para o presidente APED poderá resultar de «represálias» pelas manifestações que a associação realizou naquele concelho em 2011.

Nesse ano, a APED, que representa 160 empresas, promoveu oito dias de manifestações naquela vila contra a alegada «falta de transparência» na adjudicação dos espaços para os divertimentos nas Feiras Novas, como reporta a Lusa.