Pais e autarcas de Gonça, Guimarães, manifestaram-se esta terça-feira, no Porto, contra o anunciado encerramento da escola do 1.º ciclo da freguesia, mas voltaram a casa com a garantia de que a decisão é «irrevogável».

«A nossa única esperança, agora, é a providência cautelar que a Câmara vai interpor», disse à Lusa Francisco Costa e Silva, presidente da Junta de Freguesia de Gonça.

A manifestação decorreu frente à Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares do Norte, cujo diretor, Aristides Sousa, acabou por receber uma delegação de Gonça, a quem garantiu que a decisão de encerrar a escola da freguesia é para manter.

O autarca acrescentou que Aristides Sousa esgrimiu como único argumento o facto de aquela escola constar na Carta Educativa de Guimarães como sendo para encerrar, logo após a conclusão do Centro Escolar de S. Torcato.

¿Esqueceu-se é que a Carta Escolar é de 2006 e que muito depois disso, em 2010, saiu uma resolução do Conselho de Ministros que determina o fecho das escolas com menos de 21 alunos. A de Gonça, para o próximo ano letivo, tem 26 inscritos¿, insurgiu-se Francisco Costa e Silva.

O presidente da Junta de Gonça sublinhou que, aquando da aprovação da Carta Educativa, as previsões apontavam para que em Gonça houvesse, já em 2011, menos de 21 alunos, «mas as previsões não se cumpriram».

«Neste momento, em Gonça há cerca de 40 crianças em idade de frequentar o 1.º ciclo, só que muitas delas já foram entretanto para outros lados, face a toda esta indefinição em relação à nossa escola», acrescentou.

Costa e Silva questionou ainda o porquê de no concelho continuarem abertas outras escolas «com muito menos alunos» do que a Gonça, para logo responder que «só pode ter a ver com razões político-partidárias».

A Lusa tentou ouvir Aristides Sousa, mas ainda sem sucesso.

A Câmara de Guimarães já garantiu que vai interpor uma providência cautelar para tentar travar o fecho da EB1 de Gonça e de todas as outras com mais de 21 alunos que o Ministério da Educação quiser fechar.

Concretamente à escola de Gonça, a vereadora da Educação, Adelina Paula, já disse à Lusa que aquela é uma freguesia que se situa «num extremo» do concelho e tem uma «área territorial muito grande», com todas as dificuldades que isso implica em termos de transporte dos alunos.

Lembrou que está em curso a revisão da carta educativa do concelho, pelo que considera que «fará todo o sentido esperar mais um ano, pelos resultados dessa revisão, para então se decidir o que fazer, em função dos dados atualizados e das novas realidades».