Associações de militares reiteraram esta sexta-feira a sua solidariedade com as forças de segurança, afirmando que a manifestação da próxima semana será semelhante sobretudo no conteúdo das reivindicações mais do que na forma.

«No fundamental do que aconteceu ontem e no que acontecerá no próximo dia 15, [as semelhanças são] não propriamente a forma como as coisas poderão decorrer, mas mais o conteúdo», afirmou à Lusa Manuel Cracel, da Associação dos Oficiais das Forças Armadas (AOFA).

O dirigente da AOFA, acompanhado pelos dirigentes da Associação Nacional de Sargentos (ANS) e a Associação de Praças (AP) falavam à entrada para o Tribunal Constitucional onde entregaram um documento em que expõem «a situação dramática em que muitos militares se encontram».

«As forças e serviços de segurança evidenciaram a sua indignação relativamente àquilo que se passa consigo e as respetivas famílias, e são exatamente as mesmas questões que nos fazem agora no dia 15 juntar militares e as suas famílias denunciando aspetos que são gerais, alguns extensivos à generalidade da população, outros mais específicos dos militares», afirmou Manuel Carcel.

O coronel sublinhou que «cada ano que passa a situação é pior», com os «militares e as famílias a não conseguem satisfazer compromissos que tinha assumido», existindo casos em que «têm que recorrer a restos de messes em que servem». «São situações que, além de vergonhosas, são indignas e humilhantes», declarou.

As associações dos militares convocaram para o dia 15 de março o «desfile da família militar».

António Lima Coelho, da ANS, lembrou que essa associação esteve presente na manifestação de quinta-feira, numa delegação que integrou igualmente a Associação de Praças.

A AOFA emitiu um comunicado de solidariedade. «Não podemos deixar de estamos solidários com aqueles que, como nós, tem o dever, a obrigação de, no limite, dar a vida, para que a sociedade, os cidadãos, tenham uma vida em segurança», disse Lima Coelho.

O documento entregue pelas associações de militares expõe ao Tribunal Constitucional a «redução das remunerações, potenciada no OE de 2014, numa expressão tal que conduzirá muitos militares, a situações de insolvência familiar, incapazes de satisfazer compromissos antes assumido», bem como «as condições em que se processam as promoções», a «redução de efetivos» e a «situação dos militares em regime de voluntariado e contrato, de que se destaca a falta de respeito por condições contratualmente definidas».

Os militares apontam também para a «alteração às regras do suplemento de residência», as alterações à assistência na doença, que «discriminam de forma negativa e iníqua os militares, o mesmo se passando com a saúde hospitalar, em profunda degradação», bem como a «degradação da situação da Ação Social Complementar».

O corte de pensões de sobrevivência de viúvas, a extinção do Fundo de Pensões dos Militares das Forças Armadas (FPMFA), bem como «o tratamento dado aos militares no âmbito da reforma, quer no respeitante ao seu cálculo, quer no confisco, mascarado de "Contribuição Extraordinária de Solidariedade"», são outras das matérias que as associações quiseram expor ao Tribunal.