Dezenas de trabalhadores concentraram-se esta noite na central de comando do Metropolitano de Lisboa, dando início a um dia de greve, disse à Lusa o secretário-geral da central sindical CGTP.

Arménio Carlos, que chegou ao local às 23:15 de terça-feira, hora de início do protesto, adiantou que estavam no local «umas dezenas de trabalhadores e membros do sindicato», para o piquete de greve.

«As indicações que temos é que vamos ter uma grande adesão dos trabalhadores», antecipou.

A greve, convocada por várias organizações sindicais, nomeadamente a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), foca-se sobretudo nos problemas do setor da Exploração Operacional do Metro, que inclui os maquinistas.

«Esta greve tem uma relação muito direta, em primeiro lugar, com a exigência da contratação de mais pessoal para a área da tração e do movimento», de forma a «assegurar os níveis de segurança desejáveis», indicou Arménio Carlos.

Simultaneamente, «os trabalhadores estão a ser sistematicamente pressionados com alterações de horários», acrescentou.

Mas a greve é também um protesto «contra a privatização» de uma empresa que os trabalhadores defendem que deve continuar a ser pública, «ao serviço da população», destacou Arménio Carlos.

«Se esta greve se está a realizar, ela é da exclusiva responsabilidade do Governo, que continua, prepotentemente, a evitar todo o tipo de diálogo com vista a encontrar uma solução para o problema», acusou.

O Governo «procura empurrar as responsabilidades do conflito para os trabalhadores», que, por seu lado, «sempre mostraram disponibilidade pra encontrar soluções negociadas», reiterou o sindicalista.

A CGTP lamenta ainda que o Governo continue «a tentar impor» uma gestão «ruinosa» ao Metropolitano e às outras empresas públicas de transportes.

De acordo com o Metropolitano de Lisboa, a circulação estará suspensa até às 06:30 de quinta-feira.

Devido à paralisação, a rodoviária Carris vai reforçar o número de autocarros nos trajetos servidos pelas carreiras 726 (Sapadores-Pontinha), 736 (Cais do Sodré-Odivelas), 744 (Marquês de Pombal-Moscavide) e 746 (Marquês de Pombal-Estação da Damaia), que coincidem com eixos servidos pelo metro.

Os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa convocaram uma outra greve para a próxima segunda-feira, «em defesa do serviço público da empresa» e pela «resolução dos diversos problemas sociolaborais existentes».