Cerca de 50 enfermeiros do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Lisboa Central concentraram-se hoje na Alameda, em defesa da jornada de trabalho contínua, sem interrupção para hora de almoço.

A concentração em frente ao centro de saúde da Alameda, na Alameda Afonso Henriques, em Lisboa, começou pelas 13:00 e integrou uma ação de luta que inclui uma greve iniciada às 12:00 e que termina às 24:00.

De acordo com Rui Marroni, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, «alguns diretores executivos [de centros de saúde], estão a impor, ou a tentar, uma interrupção de uma hora no período de almoço aos enfermeiros».

O sindicalista explicou que «a jornada de trabalho dos enfermeiros é em jornada contínua», que inclui meia hora de almoço, «que faz parte do tempo de trabalho¿»e durante a qual «as pessoas estão disponíveis para prestar cuidados».

«Muitas vezes são solicitados em situações de urgência e têm de interromper [essa pausa]», disse.

A diretora executiva do centro de saúde da Alameda «impôs a interrupção de uma hora na jornada de trabalho no período de almoço, precisamente quando os utentes recorrem mais».

«Ou seja, [está] a prejudicar os enfermeiros e a prejudicar os utentes, que não têm possibilidade de acederem ao seu enfermeiro de família, ao seu enfermeiro de referência», afirmou Rui Marroni.

O representante do SEP garante que «aqueles que foram obrigados a interromper uma hora continuam nos centros de saúde, a prestar cuidados aos utentes, porque não vão abandoná-los».

«Mas não são pagos por essa hora. Fazem nove horas de trabalho, quando só deviam fazer oito», disse.

O sindicalista recordou que em setembro/outubro do ano passado, a Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo «andou a distribuir algumas informações contraditórias que levaram alguns diretores de Centros de Saúde a avançar com um processo de interrupção para hora de almoço».

Por isso, a 19 de dezembro, os enfermeiros estiveram em greve e marcaram uma concentração de protesto.

Na ocasião, «recebemos do presidente do Conselho Diretivo da ARS de Lisboa e Vale do Tejo a garantia que não tinha havido qualquer orientação para interromper a jornada contínua, que essa era uma responsabilidade dos diretores executivos [dos centros de saúde]», referiu Rui Marroni.

Na quarta-feira, os representantes do Sindicato dos Enfermeiros foram recebidos pela diretora do ACES de Lisboa Central que se manteve «intransigente».

«Alega que recebe ordens da ARS, mas não apresenta qualquer ordem escrita», disse.

No protesto de hoje, esteve também presente a deputada do PCP, Paula Santos, em «solidariedade» com os enfermeiros do ACES de Lisboa Central.