Meia centena de tarjas e panos negros contra o traçado de alta tensão entre a Galiza e o Porto, apelidando-a de «linha da morte», apareceram hoje colocados na aldeia de Gemieira, em Ponte de Lima.

A situação foi confirmada à Lusa pelo presidente da Junta de Freguesia local, explicando que o protesto, com a colocação de mensagens de contestação e panos negros junto à Estrada Nacional 203, «terá sido» concretizado, durante a madrugada, por «cidadãos» que contestam a proposta de traçado em discussão pública.

«As pessoas estão revoltadas e têm receio pelo que poderá acontecer. Não aceitam esta linha e estão a demonstrá-lo, com esta espécie de luto», disse o autarca António Sá Matos, referindo-se aos «possíveis impactos negativos» da nova ligação elétrica na saúde da população, no património natural e construído e pela «desvalorização» dos terrenos, que deixam de permitir construção.

Em causa está a construção de uma linha elétrica de 400 KV desde Fontefria, em território galego (Espanha), até à fronteira portuguesa, com o seu prolongamento à rede elétrica nacional, no âmbito da Rede Nacional de Transporte (RNT) operada pela empresa Rede Elétrica Nacional (REN).

O presidente da Junta de Freguesia reafirma que a população da Gemieira está «disposta a tudo», inclusive boicotar as próximas eleições europeias, em maio, para travar a passagem da linha de alta tensão pela aldeia, com cerca de 600 habitantes.

«Pelo menos que afastem isso no mínimo 500 metros das habitações. Da forma como está não vamos permitir, a população está disposta a tudo para impedir que avance», disse António Sá Matos, assegurando que a linha «será a morte do crescimento e desenvolvimento da freguesia».

O troço português, cujo Estudo de Impacto Ambiental (EIA) está em consulta pública até 27 de fevereiro, prevê a passagem desta linha através de oito dos dez concelhos do distrito de Viana do Castelo e ainda por Vila Nova de Famalicão, Barcelos (ambos do distrito de Braga, Vila do Conde e Póvoa de Varzim (os dois do distrito do Porto).

O autarca de Gemieira garante que esta será a freguesia de Ponte de Lima «mais afetada», de acordo com a proposta atual, pela proximidade a 20 habitações, a um aglomerado de 14 moinhos, uma quinta de turismo rural de relevância internacional, áreas de produção agrícola e uma ecovia.

Segundo António Sá Matos, um grupo de cidadãos de Gemieira já reuniu mais de 200 assinaturas num documento de contestação ao traçado no âmbito da consulta ambiental do projeto.

De acordo com o documento em Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) na Agência Portuguesa do Ambiente, o troço nacional deste projeto prevê a construção de duas novas linhas duplas trifásicas de 400 KV, atravessando, potencialmente, 121 freguesias.

Trata-se de um novo eixo de ligação entre a fronteira e o Porto, a concluir até 2016, e que, de acordo com o documento em consulta pública, «permitirá dar resposta simultânea a várias necessidades de reforço da rede, no sentido da receção de nova produção renovável na zona do Minho».

Garantirá ainda o «aumento das capacidades de interligação com Espanha e de melhores condições de alimentação aos consumos do Minho litoral».