Representantes do movimento em defesa dos colégios com contrato de associação deixaram, esta quarta-feira, 2.500 cartas no Ministério da Educação a reivindicar a manutenção dos contratos de três anos celebrados com a anterior equipa ministerial. Inicialmente, estava prevista a entrega do dobro das cartas.

Em causa está a redução do financiamento por parte do Ministério da Educação a metade dos 79 colégios que no próximo ano não poderão contar com este apoio para abrir turmas de início de ciclo (5.º, 7.º e 10.º ano) por existirem escolas públicas próximas e com capacidade para receberem os alunos.

As cartas foram escritas à mão por cada um dos professores, em que cada um teve a liberdade para escrever o que sentia”, explicou Júlio Rosa, professor no Centro de Estudos de Fátima, que na sua carta pediu “o cumprimento dos contratos por três anos”.

Os seis professores e funcionários hoje presentes no ministério voltaram a lembrar que a redução do financiamento poderá levar ao despedimento de muitos funcionários, alguns “ao fim de 20 ou 30 anos de carreira vão ser despejados para o desemprego sem perspetivas de emprego”, alertou Júlio Rosa.

Os professores criticaram também a atuação da Fenprof, dizendo não sentir qualquer apoio por parte daquela federação sindical, que tem estado ao lado do Governo na decisão de rever a rede de escolas públicas e a necessidade de manter os contratos de associação que foram criados nos anos 80 quando não havia oferta de escola pública.

Júlio Rosa aceita que seja feita uma revisão da rede, mas que tal “não pode ser feito de ânimo leve” e anunciado a poucos meses do fim das aulas e numa altura em que estão a decorrer as matrículas para o próximo ano letivo: “É preciso, com calma, dar espaço para que as escolas se organizem e preparem para este tipo de situações”.