Atualizada às 11:15

O protesto do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos do concelho de Sintra fez-se ouvir no IC19 de forma esporádica, mas os promotores consideram que as buzinadelas serviram para contestar o Orçamento do Estado para 2015.

A manhã com chuva e vento nem atrapalhou mais do que o habitual o trânsito na principal ligação rodoviária entre Lisboa e Sintra, mas o mau tempo fez esvoaçar as quatro faixas afixadas pelo Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) em viadutos e junto à estrada entre o Cacém e Queluz.

«Corte de 17 mil milhões nos salários desde 2011. Chumbe este Orçamento. Buzine», lia-se na faixa pendurada num viaduto junto à área de serviço da BP do Cacém, onde, pelas 08:00, meia dúzia de manifestantes buzinavam mais, com buzinas de ar, do que os automobilistas que passavam.

Mais à frente, uma faixa pendurada perto de Barcarena contabilizava os cortes na Educação, outra, à beira da estrada, junto ao Palácio de Queluz, apontava «menos 21 milhões de euros para abono de família» e no viaduto do Hospital Fernando Fonseca (Amadora/Sintra) criticava-se os «mais de 14 mil milhões para a banca e PPP [Parcerias Público-Privadas]».

Por baixo do viaduto, mais meia dúzia de elementos do MUSP faziam soar as buzinas portáteis e recebiam algumas respostas no mesmo tom, mas de forma esporádica.

O buzinão foi subindo de adesão mais perto das 09:00, altura programada pela organização para o termo do protesto que se inseriu na jornada de greves parciais, manifestações, plenários e concentrações do «Dia Nacional de Indignação, Ação e Luta», convocado para hoje pela CGTP-In.

«Este é um Orçamento do Estado que corta nos serviços públicos e nos serviços sociais», criticou Rui Monteiro, do Movimento Escola Pública, que integra o MUSP.

Rui Monteiro lamentou que «no caso do concelho de Sintra, o Orçamento do Estado vai sentir-se sobremaneira, nomeadamente nas questões da Educação, com um corte de 700 milhões de euros».

Na área da Saúde o cenário não é melhor, «onde se espera desde há muito pela construção de um hospital público em Sintra, uma vez que o hospital de Amadora-Sintra não dá resposta àquilo que são as necessidades da população dos dois concelhos», notou o elemento do MUSP.

A falta de pessoal médico e auxiliar, o adiamento da construção de novos centros de saúde, para substituir unidades «a funcionar sem condições em prédios de habitação», e cerca «de 100 mil utentes sem médico de família», foram outros problemas referidos por Rui Monteiro.

«A somar a tudo isto, temos um aumento muito substancial de impostos, nomeadamente com a fiscalidade verde, que não é mais do que aplicar mais carga fiscal sobre os trabalhadores e as famílias», acrescentou o elemento do Movimento Escola Pública.

Rui Monteiro considerou o protesto «positivo», apesar da pouca adesão, notando que a ação não teve uma mobilização com muita antecipação.

Em relação à existência de poucas faixas, o elemento do movimento justificou que têm de ser as comissões de utentes e movimentos a suportar os custos com o seu fabrico, mas ironizou: «É muito mais difícil suportar este Orçamento do Estado do que este pequeno investimento».