Os taxistas prometem não arredar pé da zona do aeroporto e manter o protesto por "tempo indeterminado". A posição foi assumida pelos dirigentes do setor, depois de a reunião com o Governo, no Ministério do Ambiente, ter terminado sem acordo.

O encontro, que durou cerca de três horas, terminou por volta das 15:30.

Florêncio Almeida, da ANTRAL, e Carlos Ramos, da Federação Portuguesa do Táxi, dirigiram-se depois para a Rotunda do Relógio, nas proximidades do aeroporto de Lisboa, onde se concentram muitas centenas de taxistas em protesto.

Os dirigentes associativos não fizeram qualquer declaração à saída do Ministério. Guardaram as palavras para o "epicentro" da manifestação na capital, que é como quem diz, a Rotunda do Relógio. Aí, sublinharam que o protesto era para continuar e apelaram aos manifestantes para não desmobilizarem do local.

Carlos Ramos disse que os taxistas trouxeram da reunião “uma mão cheia de nada”. Florêncio Almeida, por sua vez, destacou que a questão dos contingentes não está fixada e exige um compromisso claro nesse sentido. O presidente da ANTRAL disse que os taxistas vão ficar no local “por tempo indeterminado” até que o Governo resolva a situação. "Vamos fazer um acampamento até que alguma coisa mude", frisou. 

"Queremos um contingente. Estamos recetivos a que haja um contingente fora do contingente dos táxis, não temos qualquer problema que isso venha a acontecer. Tem é que haver regras. O Governo disse que daqui a dois ou três anos ia fazer uma avaliação a ver se isto funcionou ou não funcionou. Para nós não chega porque não há um compromisso de que vai haver contingente." 

Questionado sobre os confrontos que se registaram durante a manhã, que resultaram em três detenções, Florêncio Almeida não hesitou em atribuir responsabilidades à polícia.

"Alguns polícias é que deviam ser detidos porque eles é que provocaram esta confusão. (...) Eles é que provocaram esta desordem toda. A policia foi a única culpada."

Dois dos três homens detidos pela PSP durante o protesto de taxistas, na zona do aeroporto de Lisboa, foram libertados e serão julgados em processo sumário, anunciou a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) ao final da tarde desta segunda-feira.

Dois dos indivíduos detidos foram presentes ao Ministério Público (MP) e libertados após terem sido notificados para comparecerem em tribunal a fim de serem julgados em processo sumário, respetivamente nos dias 20 e 27 de outubro, ambos indiciados pela prática do crime de dano qualificado e um deles indiciado ainda pela prática dos crimes de detenção de arma proibida e ofensa à integridade física qualificada”, lê-se num comunicado divulgado à tarde no ‘site’ da PGDL.

O terceiro detido será presente ao MP na terça-feira, adianta a PGDL.

Poucos minutos antes, o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, frisou, em declarações aos jornalistas, que não tinha recebido "qualquer garantia" de que o protesto ia terminar. O governante, que tem a pasta dos transportes urbanos a seu cargo, vincou que esta foi apenas mais uma "reunião entre muitas".

Centenas de taxistas estão esta segunda-feira em protesto junto ao aeroporto de Lisboa, bloqueando o trânsito até à Rotunda do Relógio.

Os ânimos exaltaram-se durante a manhã e houve mesmo confrontos entre os manifestantes e a polícia. A equipa de reportagem da TVI testemunhou o ambiente de enorme tensão e as imagens captadas em direto mostraram toda a confusão: insultos, empurrões, arremesso de objetos e até o rebentamento de petardos. 

Até ao final da manhã, a PSP deteve três pessoas que participavam na manifestação.

O presidente da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL) e o seu congénere da Federação Portuguesa do Táxi (FPT) foram chamados para uma “reunião de urgência” no Ministério do Ambiente, que começou pro volta das 12:30.

A paralisação está a afetar a deslocação dos turistas que chegam a Lisboa para o centro da cidade, obrigando-as a apanhar o Metro.

Entre as largas filas para comprar bilhete para o Metro estão várias dezenas de turistas que, ao chegar ao Aeroporto Humberto Delgado, percebem que não podem ir de táxi ou de autocarro para o centro da capital, como tinham planeado.

Fonte do Metro confirmou que se registou “um aumento da procura" esta segunda-feira, acrescentando que houve um reforço do serviço prestado aos utentes.

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