Dezenas de taxistas mantinham-se ao início da madrugada ainda a bloquear a circulação na Rotunda do Relógio, o principal acesso ao aeroporto de Lisboa.

Os manifestantes esperaram, até cerca da 01:00, pela chegada dos representantes do setor, os presidentes da Federação Portuguesa do Táxi e da ANTRAL, para decidir sobre a continuação do protesto, ou pela desmobilização, depois da participação de ambos num debate sobre o tema num programa da RTP. 

Ambos os presidentes afirmaram que representantes do Governo garantiram que as negociações seriam retomadas em breve, sem hipóteses para a revisão da questão dos contingentes, e por isso pediram um momento de reflexão a todos os presentes para decidirem o que fazer.

Falámos com os assessores do senhor secretário de Estado e o que trazemos para vos dizer é que não há cedência do Governo em relação à questão que para nós é fundamental, a questão dos contingentes. O Governo não abre mão. Foi-nos dito que se propunham a suspender o processo em curso durante uma semana e que iríamos, brevemente, voltar a reunir para voltarmos a discutir. (...) Agora temos que decidir o que vamos fazer: ou ficamos por aqui ou vamos para casa", afirmou Carlos Ramos.

Às 02:25 da madrugada os taxistas ainda se encontravam a bloquear a circulação, sem intenções de desmobilizar, mesmo depois dos apelos em contrário dos presidentes das associações do setor. Vários manifestantes fizeram, aliás, vários apelos aos colegas para que não abandonassem o local.

Momentos depois, face à ameaça de que os táxis seriam bloqueados e rebocados pela polícia, anunciada pelo presidente da ANTRAL, Florêncio de Almeida, os motoristas acabaram então por aceitar desmobilizar e pôr os carros em marcha. Mesmo que a contragosto, em especial dos que vieram de fora de Lisboa.

A marcha lenta de protesto começou na manhã desta segunda-feira no Parque das Nações. Deveria seguir até à Assembleia da República, mas não foi além da Rotunda do Relógio, junto ao aeroporto de Lisboa. Que esteve bloqueada durante todo o dia.

As razões do protesto, anunciado e depois concretizado, foram a exigência por parte dos taxistas para que o Governo alterasse a legislação que legaliza a atividade dos motoristas ao serviço das plataformas Uber e Cabify.

Na manhã de segunda-feira, atos de violência e vandalização de um carro da Uber levaram a polícia a intervir. Três taxistas foram detidos e dois deles, mais tarde libertados, vão ser julgados em processo sumário nesta terça-feira.

Reunião para nada

Contrariando anteriores posições, em que afirmavam não mais querer falar com o ministro da tutela, os representantes dos taxistas foram chamados ao Ministério do Ambiente, na tarde de segunda-feira.

No encontro, os taxistas exigiram que fosse criado pelo Governo, um contingente máximo de carros ao serviço das plataformas Uber e Cabify.

A reivindicação não foi atendida e os representantes da ANTRAL e Federação do Táxi sairam sem acordo, apelando à manutenção do protesto por tempo indeterminado.

Após a reunião, o ministro Matos Fernandes veio considerar que o protesto tinha ultrapassado o limite do aceitável e se tornara "um problema de ordem pública", enquanto a polícia assegurava manter negociações para convencer os taxistas a desmobilizar e a retirar os carros da Rotunda do Relógio.