O comandante operacional da Proteção Civil nacional, Rui Esteves, disse hoje que os meios de combate a incêndios enviados para Pedrógão Grande no sábado foram os adequados, mas as trovoadas secas eram imprevisíveis.

"Claramente os meios foram os adequados, tanto os meios terrestres como os meios aéreos. Aquilo que não foi adequado foi a incidência de várias ocorrências provocadas pelas trovoadas secas e claramente o vento forte", que fizeram com que o incêndio, que matou pelo menos 25 pessoas, "rapidamente" avançasse quilómetros em pouco tempo, disse Rui Esteves aos jornalistas, na Autoridade Nacional de Proteção Civil, em Oeiras, no distrito de Lisboa.

Rui Esteves sublinhou que, dada a dimensão que ganhou o fogo, os meios agora no terreno "não são os suficientes" e daí estarem a caminho cinco "grupos de combate a incêndios florestais" dos distritos de Évora, Setúbal e Lisboa. Por outro lado, chegam hoje de manhã a Portugal dois aviões espanhóis para ajudar nas operações.

O comandante disse que num fogo com esta dimensão não é possível haver "uma varinha mágica" e dizer quando estará extinto, até porque não é possível controlar a meteorologia e hoje pode repetir-se o fenómeno das trovoadas secas e o vento forte.

"A não conseguirmos durante a noite - e a nossa determinação é que seja durante a noite […] - é que amanhã [hoje] durante o dia se termine esse incêndio", afirmou, ao lado do primeiro-ministro, que esteve esta madrugada nas instalações da Proteção Civil.

Rui Esteves disse ainda que "não há viaturas perdidas" dos bombeiros neste incêndio.

"Quem está no terreno tem todas as condições, e condições morais, para continuar esse trabalho. Pela formação, pela capacidade e pelo conhecimento que tem, não temos dúvidas disso", acrescentou, depois de referir os cinco bombeiros feridos, quatro deles com gravidade.

Rui Esteves garantiu, por outro lado, que não houve quebra de comunicações entre os operacionais no terreno e que a EDP está a transportar geradores para as zonas "onde pode haver fragilidade" das antenas de telecomunicações.

Além disso, a elétrica "já contratualizou geradores para repor a normalidade logo que possível" no abastecimento de energia nas zonas afetadas pelo incêndio, acrescentou Rui Esteves.