incêndio que está a lavrar em S. Pedro do Sul, distrito de Viseu, e o incêndio em Celourico da Beira, na Guarda, são nesta altura os que mais preocupam a Autoridade Nacional de Proteção Civil. Às 00:05 o repórter da TVI, Amílcar Matos, testemunhava o descontrolo das chamas nas encostas da serra da Arada.

O incêndio em São Pedro no Sul é aquele que, de acordo com a página da Proteção Civil, mobiliza mais meios no terreno. Às 00:53, o incêndio envolvia 926 operacionais, apoiados por 278 meios terrestres.

O incêndio mantém três frentes ativas. Começou em Arouca, à uma semana, mas rapidamente se estendeu ao concelho vizinho. Chegou a ser considerado dominado no início da noite de sexta-feira, mas voltou a estar ativo. Imagens dos repórteres da TVI já noite dentro, mostram que o fogo está descontrolado e que uma coluna de bombeiros passa por estrada em chamas nas encostas da serra da Arada, onde a situação não tem mãos a medir.

Aliás, em São Pedro do Sul, as chamas não estão a dar descanso. Várias casas já arderam e pelo menos 12 pessoas ficaram desalojadas. Há ainda várias aldeias em risco.

A ministra da Administração Interna passou este domingo pelo quartel de bombeiros de São Pedro do Sul e afirmou que o incêndio já está 70% dominado.

O incêndio ainda não está completamente dominado, temos 70% dominado e 30% para combater", disse a ministra aos jornalistas, após uma visita realizada ao final da tarde ao posto de comando de S. Pedro do Sul.

A governante frisou que, hoje, estiveram, no combate às chamas, 11 meios aéreos, e disse esperar que, "com o entrar da noite e com a humidade", os bombeiros que se encontram atualmente no terreno possam debelar o incêndio.

Constança Urbano de Sousa considerou que este não é o momento para fazer "uma análise da forma como este incêndio foi combatido", mas sim de deixar trabalhar bombeiros, presidentes de câmara, Instituto Nacional de Emergência Médica, pilotos e Forças Armadas.

Temos que deixar primeiro combater, vencer esta batalha, que é uma batalha dura, mas que vamos vencer, no meio desta guerra que temos que são os incêndios florestais", sublinhou.

A governante disse que, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, haverá "uma acalmia do tempo a partir da próxima semana", o que permitirá que os bombeiros descansem.

Eles vão sendo rodados com aqueles que estão a sul do país e que não têm tido uma tarefa muito exigente. Naturalmente aqueles que são do local, poderão estar mais exaustos, mas existe sempre essa preocupação de os rodar", garantiu.

Instada a comentar queixas relativas à falta de alimentação, a ministra disse não acreditar "que haja bombeiros que passem fome, porque além de a proteção civil assegurar a alimentação, toda esta catástrofe gerou uma enorme onda de solidariedade, com as pessoas a doarem bens", causando até muitas vezes "alguma dificuldade logística nas corporações".

Provavelmente naquele momento não tinha acesso a uma refeição, mas seguramente que essa refeição estava garantida", explicou.

O incêndio de Celourico da Beira, na freguesia de Mesquitela, mobilizava, às 21:50, 96 operacionais apoiados por 26 meios terrestres. 

No Porto, já foi desativado o Plano Distrital de Emergência (PDE), que tinha sido acionado há uma semana. 

Este domingo ficou ainda marcado pela avaria de dois aviões que combatiam os incêndios. Por volta das 13:00, um dos aviões russos que chegaram no sábado a Portugal e o Canadair marroquinos tiveram avarias quase em simultâneo deixando de estar operacionais.

Durante a manhã, os dois aviões russos tinham estado a combater fogos em Penha do Gerês, no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Questionada sobre as avarias registadas nos meios aéreos que vieram apoiar Portugal, a ministra da Administração Interna afirmou que "têm sempre pequenos problemas, mas todos eles vêm acompanhados de uma equipa técnica que está sempre a fazer as reparações que são necessárias".

É normal que muitas vezes existam pequenas avarias ou pequenas falhas técnicas, mas para isso é que existe, nas bases aéreas, todo um dispositivo de técnicos que reparam prontamente, muitas vezes da noite para o dia, até de uma hora para a outra e, portanto, estão neste momento operacionais", acrescentou.

Segundo Constança Urbano de Sousa, estes meios aéreos deverão manter-se em Portugal enquanto forem precisos.

Vão manter-se agora aqui, e vão prestar seguramente amanhã (segunda-feira), se for necessário, ainda um contributo muito prestimoso", acrescentou.

Às 20:40 mantinham-se ativos 70 incêndios florestais, em Portugal Continental, cujo combate envolvia 2541 operacionais e 835 meios terrestres, segundo a página da Proteção Civil.