O incêndio que deflagrou na tarde de segunda-feira em Abrunhosa-a-Velha, concelho de Mangualde, distrito de Viseu, foi dado como dominado já na madrugada desta terça-feira, segundo a Proteção Civil.

Quase ao nascer do sol, continuavam no terreno 138 operacionais, apoiados por 47 veículos, a fazer o rescaldo, de acordo com informações no portal da Autoridade Nacional de Proteção Civil.

Este incêndio, que chegou a ter três frentes ativas, levou mesmo, na segunda-feira, ao corte da linha ferroviária da Beira Alta.

Segundo o comando distrital de Viseu, as chamas destruíram três edificações, duas das quais devolutas.


“Foi um incêndio complicado, que andou junto de casas, mas que começou a ceder ao trabalho de combate por volta da uma da manhã”, disse o presidente da Câmara, João Azevedo à Lusa. 


Trezentos hectares ardidos e diversos prejuízos materiais foram o resultado do incêndio, disse o presidente da Câmara de Mangualde.

Pela mesma hora, mantinha-se ativo outro incêndio na localidade de Várzeas, concelho de Arouca, distrito de Aveiro, onde 122 operacionais e 36 veículos combatem as chamas, que lavram desde as 14:07 de segunda-feira, segundo a Proteção Civil.

Desde a meia-noite a Proteção Civil registou 16 incêndios rurais.


"Ano  trabalhoso"


Este incêndio. Mais um. É prenúncio de um verão difícil para os soldados da paz. O comandante operacional nacional José Manuel Moura, garantiu que o dispositivo de combate a incêndios florestais está preparado para um ano que se adivinha “muito trabalhoso” e que vai estar “na sua máxima força” a partir de quarta-feira.

“O dispositivo vai estar na sua máxima força a partir de 01 de julho. Vamos contar com cerca de 10.000 operacionais 24 horas por dia e também com dispositivo complementar de meios terrestre e aéreos”, disse à agência Lusa José Manuel Moura, 

 

Durante a fase “Charlie” de combate a incêndios florestais, que decorre entre 1 de julho e 30 de setembro, vão estar operacionais 2.234 equipas, 2.050 veículos, 9.721 operacionais, estando previsto 49 meios aéreos.


O comandante nacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) adiantou que estão previstos 49 meios aéreos, 36 dos quais de ataque inicial, mas existem problemas com as aeronaves para o ataque ampliado, designadamente com os Kamov da frota do Estado, em que apenas um dos cinco está operacional.

“A partir de quarta-feira eu quero contar que vão estar disponíveis 45, são os que estão disponíveis”, disse, sublinhando que “a curto prazo” haverá mais meios operacionais.


Além dos quatro Kamov inoperacionais, aguardam ainda vistos do Tribunal de Contas dois Canadair e outros dois aviões, mas José Manuel Moura garantiu que se trata de uma questão administrativa “que a todo o momento poderá ser resolvida”.

Sobre os quatro helicópteros pesados, o comandante acrescentou que um deles deverá entrar em funcionamento no próximo fim de semana e outro durante o mês de julho, sendo integrados no dispositivo à medida que vão sendo recuperados.

“Essa informação não depende da parte técnica. Ao comandante nacional o que é exigido é que tenha capacidade suficiente para poder, a cada momento, com os meios que têm resolver a situação da melhor maneira possível”, afirmou.

O dispositivo de combates a incêndios florestais, orçado este ano em cerca de 80 milhões de euros, é idêntico ao de 2014, sendo reforçado com 17 equipas nos corpos de bombeiros.

José Manuel Moura explicou que o reforço destas 17 equipas de combate a incêndios florestais está relacionado com a capacidade instalada nos corpos de bombeiros.

“Mesmo havendo mais disponibilidade tínhamos mais dificuldade em aumentar o número de equipas. Foram aquelas que encontramos no território nacional junto dos corpos de bombeiros”, disse.

A fase “Charlie” de combate a incêndios florestais sucede à “Bravo”, que termina hoje e mobilizou, desde 15 de maio, 6.583 operacionais e 1.541 viaturas.

O último relatório provisório do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) indica que a área ardida e o número de fogos mais do que duplicaram este ano em relação a 2014.

Segundo o ICNF, registaram-se, entre 01 de janeiro e 15 de junho, 6.113 ocorrências de fogo, mais 3.578 do que no mesmo período de 2014.

O relatório adianta que os 6.113 incêndios resultaram em 14.971 hectares de área ardida, mais 9.446 do que no mesmo período de 2014, quando as chamas consumiram 5.525 hectares.

José Manuel Moura recordou que o melhor ano desde que há registo foi o de 2014.


Mais de uma dezena de incendiários detidos


A Polícia Judiciária deteve este ano 11 pessoas pelo crime de incêndio florestais, menos oito do que em igual período de 2014, indicam dados enviados à agência Lusa.

Segundo a PJ, as 11 detenções foram feitas até 24 de junho e foi na zona centro do país que ocorreram em maior número.

Numa resposta enviada à Lusa, a PJ refere que do estudo do perfil dos incendiários florestais detidos em 2014 (um total de 46), resulta que 15 deles (cerca de 33%) já tinham sido investigados pelo mesmo tipo de crime incêndio florestal.

Os dados adiantam que quatro detenções foram feitas pelo Departamento de Investigação Criminal de Aveiro, seguindo-se as duas realizadas pela Direção do Centro e outras duas pela Direção do Norte.

Na semana passada, a GNR anunciou que, âmbito de ações de patrulhamento e vigilância das zonas florestais e de primeira intervenção nos incêndios florestais, foram detidas este ano 36 pessoas, mais 22 do que em igual período de 2014, e identificados 532, mais 292.