O Ministério Público acusou nove arguidos por associação criminosa, tráfico de seres humanos e outros crimes, num caso ligado à entrada em Portugal de mulheres estrangeiras que eram encaminhadas para outros países europeus e forçadas a prostituírem-se, foi divulgado esta quarta-feira.

Segundo o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), os dois principais arguidos da organização criminosa, de cariz internacional, encontram-se em prisão preventiva desde julho de 2014 e em causa estão ainda crimes de auxílio à imigração ilegal e uso de documento de identificação alheio.

A investigação culminou com sete detenções, sete buscas domiciliárias, uma busca em escritório de advogado e seis buscas em viaturas, tendo sido apreendida documentação comprovativa de transferências internacionais de elevadas quantias monetárias, telemóveis e documentação diversa indiciadora da atividade criminosa.

Algumas das estrangeiras são menores

Após algum tempo no Centro de Instalação Temporária do Aeroporto de Lisboa, as jovens, mantendo pendente o pedido de asilo, logravam autorização para entrar em Portugal, sendo encaminhadas para o Centro de Acolhimento do Conselho Português para os Refugiados, relata o SEF.

Posteriormente, eram contactadas pelos elementos da organização que estavam em Portugal, que lhes determinavam os procedimentos e as acompanhavam e, em coordenação com os demais elementos da organização que operavam noutros países europeus, seguiam para diferentes destinos dentro da Europa, onde eram forçadas à prostituição.

No país de destino as jovens eram confiadas a mulheres mais velhas da mesma nacionalidade, as chamadas "madames", que as passavam a controlar e a explorar, retirando-lhes todo o dinheiro que faziam com o exercício da prostituição.

A investigação do SEF, que contou com cooperação policial europeia, apurou que o grupo criminoso estava dotado de elevada capacidade operativa e experiência na atividade ilícita e que os seus membros se pautavam por um comportamento discreto, por forma não chamarem a atenção das autoridades.

Alguns deles eram também requerentes de asilo, sendo outros cidadãos residentes legais no território nacional.

Algumas das vítimas eram exploradas sexaulmente ainda em Portugal durante o tempo em que aqui permaneciam aguardando o momento em que seriam encaminhadas para outro país.

Na operação estiveram envolvidos 52 operacionais do SEF, que cumpriam mandados de detenção em Lisboa, Odivelas e Laranjeiro.

Participaram ainda na operação dois analistas de informação da Europol, que estiveram na base do SEF.

A operação foi executada pelo SEF, sob a orientação do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, refere a Lusa.