Manuel Martinho estima ter pedido mais de 400 mil euros no violento incêndio que lavra no concelho de Mação, distrito de Santarém. Este homem, que perdeu cerca de 112 hectares de floresta, garantiu à TVI que tinha os terrenos limpos e não escondeu a frustração por, mesmo assim, ter sido um dos proprietários mais afetados pelo fogo.

“Tinha as propriedades todas limpinhas, tudo limpinho. (…) Limpei tudo e eu é que paguei a fatura.”

E não hesitou em afirmar que o problema está na existência de terrenos que não são limpos: “O que está a arder vem dos terrenos todos sujos”.

Para Manuel Martinho, não é a proibição da plantação de eucaliptos que vai travar os incêndios no país, mas a limpeza efetiva das matas.

“Estão a proibir os eucaliptos, mas eu nunca vi o fogo começar nos eucaliptos. Vi sim nos terrenos sujos que estão ao lado. Está tudo à vista, desde 2003 nunca mais ninguém limpou nada e agora estão a proibir os eucaliptos”, desabafou.

Depois de ter investido muito neste setor, não sabe se vai voltar a apostar na floresta.

“Fiquei sem nada, zero. (...) Tenho medo, o dinheiro que tinha gastei-o todo."

O incêndio que lavra intensamente em Mação deflagrou na tarde de domingo no concelho da Sertã (distrito de Castelo Branco), tendo-se alastrado depois a outros concelhos.

Este fogo mobiliza, nesta quarta-feira, mais de 1000 operacionais e obrigou à retirada de dezenas de pessoas.

O presidente da Câmara de Mação afirmou que já arderam mais de 15 mil hectares, quase metade da área florestal do concelho.