A secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais, anunciou hoje um reforço de ações de formação destinadas a profissionais de saúde, para «aumentar a sua capacidade de reação» a casos de violência doméstica.

Para Teresa Morais, é «fundamental» haver um «acréscimo de formação» para estes profissionais: «Foi-se percebendo, ao longo do tempo, que muitos médicos e enfermeiros não sabiam lidar com os casos de violência doméstica que lhes chegavam às mãos e tinham dificuldade em dar-lhes resposta e seguimento».

Para colmatar esta situação, «está prevista uma multiplicação de ações de formação ao nível das administrações regionais de saúde», de acordo com um plano do Ministério da Saúde, disse Teresa Morais, à margem do seminário «Envelhecimento e Violência», que está a decorrer em Lisboa.

Um estudo sobre a violência, que faz parte do projeto Envelhecimento e Violência 2011-2014, coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde. O Dr. Ricardo Jorge, revela que 12,3% da população portuguesa, com 60 ou mais anos - cerca de 314 mil pessoas -, foram vítima de, pelo menos, uma «conduta de violência» por parte de um familiar, amigo, vizinho ou profissional.

Conforme apurou a Lusa, a violência financeira e a violência psicológica foram os crimes mais relatados, com 6,3% da população com 60 e mais anos, cerca de 160 mil pessoas, em ambos os casos, a afirmar ter sido vítima de, pelo menos, uma conduta destes tipos de violência.

Teresa Morais afirmou que não ficou surpreendida com os resultados deste estudo, observando, no entanto, que a violência financeira era a realidade menos conhecida até agora e sobre a qual não há estudos anteriores que permitam fazer uma comparação de dados.

«Em teoria, é possível que ela se deva a um agravamento da situação das famílias que tenderão a abusar dos seus idosos em matéria de recursos financeiros que eles possam ter», comentou a governante.

Para o diretor da investigação criminal da GNR, coronel Óscar Rocha, a «grande importância» deste estudo é permitir «conhecer melhor» esta realidade «complexa, por vezes escondida, com um conjunto de variáveis muito importantes».

«Conhecendo melhor a realidade, também temos hipótese de intervir de uma forma mais dirigida, com mais eficiência e mais eficácia», disse Óscar Rocha, à margem do seminário.

Óscar Rocha sublinhou que «um dos grandes problemas» das forças de segurança, relativamente às repostas operacionais, é o «silêncio» das vítimas e as «cifras negras».

O estudo estimou que cerca de 64,9 por cento das vítimas não contactou ou não apresentou queixa às autoridades.

Para o responsável da GNR, é preciso «incutir nas pessoas a confiança de que, havendo uma denúncia, há uma resposta».

«Se as pessoas encontrarem na denúncia uma resposta efetiva para o seu problema, não terão medo em denunciar», sustentou.

Teresa Morais defendeu ainda o reforço da formação das forças de segurança relativamente à maneira como as vítimas devem ser atendidas e protegidas.

«É preciso multiplicar essas ações ao nível de todas as forças de segurança e também em meio urbano», disse Teresa Morais.

«Nos meios rurais a GNR está mais acessível, nos meios urbanos, a grande concentração da população torna a polícia menos acessível», explicou.