O Ministério da Educação adiantou esta terça-feira que em apenas uma das escolas onde os professores deveriam ter feito exame não houve «condições para a sua realização», por «insuficiências internas que a Inspeção Geral de Educação está a verificar».

Veja a prova de avaliação dos professores

Em comunicado, o Ministério da Educação e Ciência (MEC) sublinha que «não pode deixar de lamentar» os casos «em que se registaram problemas», que não impediram, no entanto que a prova de avaliação de capacidades e conhecimentos (PACC) dos professores se realizasse.

«De 88 escolas em que a mesma estava prevista, apenas numa não foram concretizadas as condições para a sua realização, por insuficiências internas que a Inspeção Geral de Educação e Ciência está a verificar. Em cinco outras escolas, alguns manifestantes pretenderam, embora sem sucesso, pressionar os professores vigilantes e perturbar os candidatos. São incidentes que não dignificam a classe docente e sabemos bem que os professores não se revêm nessas atitudes», lê-se no comunicado enviado pelo ministério.

De acordo com os números apresentados pela tutela, um total de 50 professores deixou de fazer a prova: dos 4.120 inscritos compareceram nos estabelecimentos, para fazer exame, 2.745 docentes e faltaram 1.325, sobrando meia centena que não terá realizado o exame por falta de condições, por decisão sua, ou outros motivos

«Em duas outras escolas, registaram-se casos de candidatos que, depois de responderem à chamada e entrarem na sala, se recusaram a realizar a prova», refere o MEC no documento.

No entanto, em declarações à agência Lusa, o presidente da associação que representa os professores contratados afirmou que em várias escolas do norte do país não havia qualquer professor vigilante da prova nos estabelecimentos, impossibilitando a sua realização.

Para o presidente da ANVPC, mais grave do que os professores que não fizeram a prova devido aos protestos desta terça-feira, é a situação daqueles que a queriam fazer, apresentando o comprovativo de que, em dezembro, não realizaram o exame «por motivos alheios à sua vontade», como exigia o Ministério, para manterem a inscrição para esta terça-feira, e mesmo assim não constavam das listas, não tendo, por isso, realizado a prova.

«Têm chegado à associação muitas queixas dos professores que não a fizeram, porque não foram convocados pelo Ministério, com implicações para os concursos que estão a decorrer», adiantou.

A Fenprof refutou os números do ministério, apontando pelo menos quatro escolas onde não se realizou a prova de avaliação docente, e várias em que o exame começou com atraso.

Em comunicado, a maior estrutura sindical de professores, afeta à CGTP, refere, a título de exemplo, que a prova não foi feita, por falta de vigilantes, nas escolas secundárias de Santo António e de Santo André (Barreiro) e de Oliveira do Douro, assim como no agrupamento Afonso Henriques (Guimarães).

A nota da Fenprof enumera quase uma dezena de escolas - dos concelhos de Amares, Guarda, Viseu, Faro e Beja - onde o exame decorreu com atrasos, ou com vigilantes insuficientes.

A Fenprof alega que a prova se realizou na escola secundária da Sé, na Guarda, com o edifício ocupado pela polícia, tendo os professores, que não puderam fazer em dezembro o exame, sido «impedidos de entrar» no estabelecimento de ensino, «não constando os seus nomes em qualquer lista».

O comunicado advoga, numa referência à «baixa adesão» dos professores contratados à prova, que, na escola básica 2+3 do Viso, em Viseu, 80 por cento dos docentes não compareceram.

A lista de exemplos da Fenprof inclui mais de uma dezena de escolas onde os plenários sindicais foram interditos e em que, «por norma, foram identificados os responsáveis pela proibição das reuniões e chamados os agentes policiais».