Em Portugal existe um professor a tempo inteiro para cerca de dez alunos, segundo a OCDE, que sublinha que este rácio nem sempre é sinónimo de turmas pequenas.

Professores: MEC quer acabar com horários zero

De acordo com o relatório sobre educação divulgado esta terça-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, os alunos portugueses têm mais professores a tempo inteiro do que a média dos 34 países avaliados.

Desde o 1.º ano até ao liceu, as escolas portuguesas surgem sempre com um rácio de um docente para um grupo que ronda os dez estudantes, enquanto a média da OCDE aponta para que nas escolas do 1.º e 2.º ciclo exista um professor para cada grupo de 16 alunos e, no ensino secundário, haja um docente para cada 13 estudantes.

No entanto, este rácio médio varia consoante os países em análise: no México, por exemplo, há um professor a tempo inteiro para 30 alunos; já a Austrália, Bélgica, Indonésia e Portugal, têm «menos de dez alunos», lê-se no estudo.

No entanto, estes números nem sempre são sinónimo de turmas mais pequenas, segundo os responsáveis pelo relatório, que explicam que para formar uma turma é preciso ter em conta variáveis como o número de horas semanais de trabalho de um professor, quanto tempo tem de estar a ensinar e o número de horas que os alunos têm aulas.

Ter poucos alunos por professor é uma das medidas escolhidas por alguns dos países que mais apostam em educação: «Por exemplo, entre os dez países que mais investem por aluno no 2.º e 3.º ciclo, a Dinamarca, Irlanda, Luxemburgo, Holanda, Suíça e Estados Unidos têm os professores com salários mais elevados, depois de 15 anos de experiência, enquanto a Austrália, Finlândia, Luxemburgo e Noruega têm alguns dos rácios mais baixos entre alunos/professores», refere o estudo.

O relatório recorda, no entanto, um estudo realizado no ano passado sobre o impacto do tamanho das turmas na satisfação profissional dos professores, que concluiu que mais importante do que ter grupos pequenos é não ter grandes problemas comportamentais.

O relatório diz ainda que, em 2012, um em cada três docentes (36%) do liceu tinha pelo menos 50 anos.

Nesta análise, os italianos surgem como o grupo dos profissionais mais experientes, já que mais de 60% tinha mais de 50 anos, enquanto Portugal surge entre os mais jovens, com apenas um pouco mais de 25% do total dos docentes a ter 50 ou mais anos.

O mesmo relatório revela também os dados dos gastos anuais de cada país da OCDE com cada aluno desde o ensino básico ao superior. Portugal gasta anualmente cerca de 6.200 euros, em média, por cada aluno que frequenta o ensino público.

Contabilizando todos os estudantes desde o ensino básico ao superior, os 34 países da OCDE gastam, em média, 7.370 euros com cada um dos seus alunos, um investimento que vai aumentando ao longo dos anos. Portugal fica abaixo da média, já que o gasto anual por aluno do ensino público não chega aos 6.200 euros.

Para os estudantes que chegam ao 1.º ciclo e até saírem para o 3.º ciclo, Portugal investe cerca de 4.660 euros, quando a média da OCDE é de 6.213 euros.

Neste quadro, apenas sete países da OCDE investem menos do que Portugal - Eslováquia, Estónia, Republica Checa, Hungria, Chile, México e Turquia.

Só quando os alunos chegam ao secundário, o valor por estudante atinge a média da OCDE: quase sete mil euros.

No ensino superior, o dinheiro gasto por aluno volta a estar abaixo da média: em Portugal, a verba média é de 7.769 euros, enquanto na OCDE é de 10.876 euros.

Entre 2005 a 2011, os gastos por aluno entre o ensino básico e o secundário aumentou, em média, 17 pontos percentuais nos países da OCDE, mas, devido à crise, esse investimento caiu em quase um terço dos países da OCDE desde 2009.