Pais e alunos da Escola EB1,2,3 Pedro de Santarém, em Benfica, Lisboa, estão a manifestar-se esta manhã junto ao portão do estabelecimento de ensino, contra a falta de professores e exigem a «imediata» resolução do problema.

Exigindo «a resolução imediata de um problema criado pelo Ministério da Educação», Nuno Ricardo Martins, vice-presidente da Associação de Pais da Escola EB1,2,3 Pedro de Santarém, disse à agência Lusa que «a falta de professores, visível também no Agrupamento de Escolas de Benfica, prejudica de forma séria a aprendizagem dos alunos».

«Assistimos a professores efetivos que suportam o trabalho de colegas não colocados e que estão a chegar ao limite das suas capacidades, fazendo um enorme esforço», lê-se num manifesto da Associação de Pais.

A falta de «quatro professores no 1.º ciclo e de cerca de 15 professores para o 2.º e 3.º ciclos» faz com que haja «alunos sem professores a quatro disciplinas, vindo à escola diariamente para uma ou duas aulas, em horários de quatro ou cinco disciplinas diárias».

Segundo Manuel Barata, presidente da Associação de Pais da Escola EB1,2,3 Pedro de Santarém, «a situação é muito preocupante, porque já passou quase um mês sobre o início das aulas e ainda faltam 23 professores na escola. Além de tudo está a ser afetado um direito que a Constituição prevê, que é o direito à educação».

Numa escola com aproximadamente 1.300 alunos, neste momento estão «cerca de 500 alunos afetados com a falta de professores».

«Se não há professores para lecionarem as disciplinas como é que podemos exigir bons resultados aos alunos no fim do ano», alertou Manuel Barata, acrescentando que «se a situação não for resolvida, o Ministério da Educação deverá pensar no alargamento do período do ano escolar».

«Todos os anos há problemas na colocação de professores, mas este ano ultrapassou todos os limites», disse.

Elsa Oliveira acompanhada da filha Lara, que frequenta a Escola Pedro de Santarém, manifestou-se descontente com a falta de professores, que obrigou a criança a ficar em casa até ao início desta semana.

«Tive de deixar de trabalhar para tomar conta da minha filha, porque ainda não tem professores. Só esta semana é que colocaram dois monitores da Componente de Apoio à Família (CAF), da responsabilidade da Junta de Freguesia de Benfica, para ficarem a tomar conta dos miúdos», contou.

A participar na manifestação, Rosa Freitas, mãe de um aluno do 2.º ano, sublinhou que o atraso na colocação de professores para este ano letivo irá refletir-se na aprendizagem dos alunos, «vai haver muitas crianças que vão perder o ano».

«Gostava de saber como é que o Ministério vai compensar estas crianças sobre o tempo de aulas que estão a perder», questionou.

Maria Florindo, mãe de um aluno do 4.º ano, participa de forma solidária na manifestação, uma vez que este ano a turma do filho não tem falta de professores.

«Estou solidária com os outros pais, porque acho injusto o que o Ministério está a fazer. Está a prejudicar os professores e os alunos», afirmou.

«Os alunos têm direito a ter os professores no início do ano escolar», defendem os pais e encarregados de educação.

A concentração desta manhã visa «dar a conhecer a situação existente na Escola Pedro de Santarém, bem como no Agrupamento de Escolas de Benfica, de modo a que seja encontrada a resolução imediata de um problema criado pelo Ministério da Educação», segundo o texto de um manifesto distribuído esta terça-feira.