Cerca de 40 professores desempregados entraram esta tarde nas instalações do Ministério da Educação e Ciência (MEC), em Lisboa, exigindo ser recebidos pelo ministro Nuno Crato.

Segundo Ana Paula Machado, esta iniciativa dos professores desempregados tem o apoio do Sindicato Professores da Grande Lisboa (SPGL), associado da Fenprof, e é justificada com o facto de considerarem que as escolas precisam de docentes e que as turmas estão demasiado grandes.

A dirigente sindical Deolinda Machado explicou que a decisão de se concentrarem nas instalações do MEC surgiu numa reunião realizada hoje de manhã com os professores desempregados onde foi feito um levantamento da situação das ofertas de escola.

«Depois do encontro foi decidido pedir uma audiência ao ministro, tendo em conta que há escolas encerradas, sem professores e com turmas demasiado grandes, havendo por outro lado milhares de professores no desemprego», disse.

«Não há justificação para este número tão grande de desempregados», adiantou Deolinda Machado, adiantando que nos últimos anos sairam milhares de professores para a aposentação e que não foram subtituidos.

Os professores, que aguardam sentados no átrio das instalações do MEC na avenida 5º de outubro, dizem que vão permanecer no local até serem recebido pelo ministro ou por um dos secretários de estado, recusando qualquer reunião com assessores.

Os docentes dizem recusar receber o subsídio de desemprego quando as escolas precisam deles e num ano em que, por questões economicistas, as turmas têm demasiados alunos, indicou à Lusa a professora Sofia Barcelos.

Alunos juntam-se aos professores

Entretanto, um grupo de alunos do ensino superior juntou-se à concentração de professores desempregados para manifestar solidariedade aos docentes.

Estudantes de várias universidades de Lisboa estão também sentados no chão ao lado dos professores, numa manifestação de apoio, tendo já cantado uma canção dedicada ao ministro.

Ocupação na Saúde

No caso do Ministério da saúde, vários delegados sindicais ocuparam o espaço o átrio de entrada do Ministério da Saúde, na Avenida João Crisóstomo, em Lisboa, como «forma de protesto pela ausência de resolução de um vasto conjunto de problemas, há largo tempo colocados e que afectam os trabalhadores da Saúde», indica uma nota enviada à redação da TVI pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais.

A Federação sindical diz aguardar desde 28 de janeiro por uma reposta do ministro Paulo Macedo «quanto ao reinício das negociações do Acordo Colectivo de Trabalho para os Hospitais EPE; quanto à proposta de criação da carreira de técnico auxiliar de saúde; ainda relativamente à actual desregulamentação dos horários de trabalho no sector; bem como quanto à falta de pessoal para dar resposta a necessidades permanentes dos serviços de saúde».

Esta ocupação ficou, entretanto, resolvida porque o Ministério da Saúde agendou para dia 24 uma reunião com os sindicatos da função pública.