As sete organizações sindicais que entregaram um pré-aviso de greve relacionado com o teste de Cambridge foram convocadas para uma reunião destinada a discutir se as provas justificam a organização de serviços mínimos, anunciou esta quinta-feira a Plataforma Sindical.

A mesma fonte afirma, em comunicado, que a reunião foi agendada para sexta-feira, na Direção Geral da Administração e do Emprego (DGAEP) para debater se os testes constituem ou não necessidades sociais impreteríveis, o que os sindicatos consideram «um absurdo».

Esta plataforma é constituída pela Federação Nacional dos Professores (FENPROF) e outras seis estruturas representativas dos professores.

Também a Federação Nacional da Educação (FNE) havia anunciado um pré-aviso de greve, que retirou na quarta-feira, após uma reunião no Ministério da Educação em que chegou a um entendimento com a tutela.

De acordo com a Plataforma Sindical, quase metade dos professores convocados para fazerem este teste não o fizeram ou não compareceram nas ações de formação que decorreram «em dias de aulas», por considerarem que punha em causa a sua habilitação profissional.

A FNE decidiu desconvocar a greve ao exame de inglês, depois de ter chegado a acordo com o Governo em pontos como a certificação de proficiência exigida aos docentes, que passa a ser opcional.

Após uma reunião que contou com a presença do ministro Nuno Crato, a FNE considerou que os recuos da tutela nas exigências que eram feitas aos professores envolvidos na aplicação do teste de diagnóstico de inglês da responsabilidade do instituto da Universidade de Cambridge eram suficientes para desconvocar a greve marcada a todo o serviço à prova.

«Na sequência destas informações que o MEC transmitiu, a FNE decidiu desconvocar a greve que tinha previsto para o período de aplicação aos alunos deste teste».


Segundo a FNE, o ministério «decidiu que passa a ser facultativa a realização dos testes pelos professores aplicadores das provas de Cambridge».

Os exames em causa, da autoria do Cambridge English Language Assessment e que teriam por objetivo certificar a proficiência linguística dos professores que iriam classificar as provas dos alunos portugueses, suscitaram fortes críticas de sindicatos e associações de docentes de inglês, que viam nesta imposição um desrespeito para com a formação superior de base para lecionar a disciplina.

«Os professores envolvidos na aplicação dos referidos testes não só não são obrigados à realização de qualquer teste de certificação, como ainda verão reconhecida a formação que realizarem para o respetivo lançamento, a qual será certificada pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua», indicou a FNE, em comunicado citado pela Lusa.


Os professores que optarem por fazer o teste final da formação passam a ter a garantia de que os resultados, que terão uma certificação validada pelo Cambridge, não são eliminatórios, não serão tornados públicos, nem os excluem do processo de aplicação da prova do Cambridge aos alunos.

Ficou ainda acordado que o período de dispensa da componente não letiva para os professores envolvidos no teste de inglês, que estava fixado em oito dias, passa agora a ser de 12 dias, podendo essa dispensa ser solicitada logo após ter terminado a aplicação da prova.

As direções das escolas designaram 2.300 professores para classificar a prova de inglês, obrigatória para os alunos do 9º ano e opcional para os restantes anos.