A Federação Nacional de Professores (Fenprof) exigiu esta segunda-feira a demissão do ministro da Educação e da Ciência (MEC), Nuno Crato, pela forma como este está a conduzir o processo de avaliação de docentes.

Há professores que querem fazer a prova e não podem

Para que serve a prova e quem pode fazê-la?

«Se o ministro [da Educação e da Ciência] tivesse um pouco de dignidade» para «o exercício de funções democráticas, demitia-se ainda hoje», afirmou o secretário-geral daquela organização, Mário Nogueira.

A Fenprof anunciou igualmente, numa conferência de imprensa realizada em Coimbra, que vai apresentar uma queixa-crime contra o diretor-geral dos estabelecimentos escolares por este «tentar impedir» a realização de reuniões sindicais na manhã de terça-feira, período durante o qual se realiza a prova de avaliação de docentes.

O secretário-geral da Fenprof reagiu assim ao facto de o MEC querer impedir a realização de reuniões sindicais na manhã da prova de avaliação dos professores, tendo enviado informação às escolas a indicar que os plenários apenas podem acontecer a partir das 14:00.

Dirigentes escolares lembram que plenários sindicais podem realizar-se noutras escolas

A Associação Nacional de Dirigentes Escolares desvalorizou a indicação dada pela tutela sobre os plenários sindicais à hora da prova de avaliação docente, lembrando que as reuniões podem realizar-se em estabelecimentos onde a prova não é feita.

«Estamos mais preocupados com a preparação do ano letivo e em garantir que as provas decorram com tranquilidade», afirmou à agência Lusa o presidente da associação, Manuel Pereira, assinalando que os plenários sindicais podem realizar-se em escolas - do mesmo agrupamento - onde não se realizam as provas.

A Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) deu indicações esta segunda-feira às escolas, segundo um comunicado do Ministério da Educação, para que na terça-feira, dia para a qual foi remarcada a prova de avaliação dos professores, o acesso às instalações escolares onde o exame é feito fique restrito a «pessoas envolvidas no serviço de natureza urgente e essencial», entre a abertura dos estabelecimentos e as 14:00, para garantir que a prova decorra em «condições de tranquilidade adequadas».

A prova - de Avaliação de Capacidades e Conhecimentos - começa às 10:30, mas a Federação Nacional de Professores, a maior estrutura sindical docente, afeta à CGTP, marcou reuniões para de manhã em escolas, para impedir a realização do exame, dando assim justificação aos docentes do quadro para não comparecerem ao serviço de vigilância da prova dos colegas, neste caso contratados.

Ministério toma docentes por «vândalos e irresponsáveis»

A Associação Nacional dos Professores Contratados considerou que o MEC toma os docentes por «vândalos e irresponsáveis», ao impedir plenários sindicais.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Nacional dos Professores Contratados, César Paulo, comentou que o ministério «está agarrado à prova como um cão a um osso, levando a crer que os professores são uns vândalos e irresponsáveis e, [como tal], não pode haver uma reunião sindical» numa escola onde decorre o exame.

Para a Associação Nacional dos Professores Contratados, o exame em causa - que visa testar os conhecimentos dos docentes - «é eliminatório», vai levar «professores a deixarem de dar aulas».