A Fenprof revelou esta terça-feira que vai escrever ao primeiro-ministro, António Costa, para criticar os problemas nos recentes concursos de professores e para lamentar o abalo no “clima de confiança” institucional, que põe em causa o diálogo e a negociação.

“Hoje mesmo, a Fenprof [Federação Nacional dos Professores] irá dirigir um ofício ao primeiro-ministro, no qual descreve o sucedido, que lamenta, considerando que esta situação abala, ainda mais, um clima de confiança que tem vindo a deteriorar-se, o que não é bom para o futuro relacionamento institucional, pois vem sendo posto em causa o clima de diálogo e negociação tantas vezes referido pelo próprio primeiro-ministro”, refere o comunicado da estrutura sindical hoje divulgado.

Em causa, para a Fenprof, estão não só os recursos hierárquicos dos professores que contestam ter sido excluídos do concurso de vinculação extraordinária, como a demora na apreciação dos pedidos de mobilidade por doença, ou os problemas do concurso da mobilidade interna, para os quais o Ministério da Educação apresentou na passada sexta-feira aos jornalistas uma solução que não revelou aos sindicatos no decurso das reuniões que teve com as estruturas nesse mesmo dia.

“A Fenprof não pode deixar passar em claro a forma como os responsáveis do Ministério da Educação agiram neste processo, designadamente no passado dia 15, negando a possibilidade de a sua decisão ser apresentada e discutida na reunião que se realizou”, criticou a federação.

O Ministério da Educação anunciou na sexta-feira que no próximo ano os professores que não ficaram satisfeitos com a sua colocação no concurso de mobilidade interna deste ano vão poder concorrer num procedimento extraordinário.

Uma não-solução, pois o anunciado não resolve o problema imediato e nada garante em relação ao próximo ano, pois tudo dependerá de existirem, ou não, horários disponíveis. Ou seja, o problema continua por resolver”, defendeu a Fenprof.

Este ano, ao contrário de anos anteriores, o Ministério da Educação não levou a concurso na mobilidade interna horários incompletos, limitando o universo de horários e de escolas a que os professores dos quadros se podiam candidatar no concurso que serve para permitir aos docentes aproximações à sua zona de residência.

Em consequência disso, os professores ficaram colocados em escolas distantes e viram outros colegas menos graduados a serem colocados nesses lugares, que só ficaram disponíveis em fases posteriores dos concursos de professores.

A solução apresentada pela tutela adia a eventual resolução do problema para o próximo ano e pode não permitir a colocação dos professores nos horários a que inicialmente esperavam poder ter concorrido, uma vez que só irão ao concurso de mobilidade interna extraordinário os horários disponíveis.

Os professores que estão satisfeitos com a colocação que obtiveram este ano não serão obrigados a candidatar-se no próximo ano, o que significa que os lugares que ocupam não vão a concurso.