A Fenprof contesta os números do Governo sobre o descongelamento das carreiras. A estimativa do executivo socialista é que mais de 50 mil professores vão progredir na carreira no próximo ano, o que representará um custo adicional de 90,2 milhões de euros em salários. 

A Federação Nacional de Professores diz que não é assim e pede “transparência” e “seriedade política” ao Governo. “Em reunião anterior, o ministério havia informado a Fenpropf de que seriam 1.162 e 1.035 os docentes que, respetivamente, reuniam condições para progredir aos escalões 5.º e 7.º em 2018”.

Em comunicado, acrescenta que, no documento divulgado pelo Governo, se referem 6.562 em condições de progredir ao 5.º escalão e 7.337 ao 7.º escalão.

Para a estrutura sindical, trata-se de “uma enorme diferença” que faz com que o número final de docentes em condições de progredir em 2018 baixe de 50.151, como consta no documento, para 38.449.

Além disso, esta enorme diferença nestes dois escalões levanta legítimas suspeições sobre a correção do número de docentes em condições de progredir em 2018”.

E este não é o único problema identificado nos dadosdo Governo. Apesar de não ter recebido “grande explicação” para alegada “falta de rigor” nos números, a Fenprof diz que houve “o compromisso de os mesmos serem corrigidos”, designadamente os que correspondem aos docentes em condições de progredir em 2018.

Os sindicatos representados na Fenprof pretendem que seja fixada uma percentagem mínima de vagas anuais para a progressão ao 5.º e ao 7.º escalão, bem como a garantia de negociação anual do número definitivo.

Sobre o regime de concursos, a estrutura sindical insiste em alterações que garantam justiça nas colocações em 2018.

A Fenprof pondera requerer a negociação suplementar destas matérias, decisão que será tomada até sexta-feira, último dia para apresentação do respetivo pedido.

Língua Gestual Portuguesa: o que aí vem

Depois da reunião que teve hoje, a Fenprof anunciou, também hoje, que foram dados os primeiros passos para a criação do grupo de recrutamento de Língua Gestual Portuguesa.

Foi apresentado um anteprojeto que suscita ainda “dúvidas e reservas” em alguns aspetos. A criação deste grupo não poderá traduzir-se no afastamento de professores “com muitos anos de experiência e formações relevantes”, defende a federação.