Atualizada às 19:35

O ministro da Educação mandou os professores contratados lerem a lei, mas isso não os demoveu de se manifestarem precisamente por causa de alegados erros nas colocações, que Nuno Crato refuta. Os docentes deixaram no Ministério um pedido de audiência, com a Fenprof a dar 48 horas ao governante para receber os sindicatos.

O protesto foi convocado pelo Facebook e levou cerca de 100 professores contratados às ruas. Estão, desde as 15 horas desta segunda-feira, a exigir a demissão do ministro, com a exibição de cartazes e as palavras de ordem «Demissão» e «Está na hora do ministro ir embora», acompanhadas de um pedido de anulação do concurso que resultou nas colocações através da Bolsa de Contratação de Escola (BCE).

O deputado do Bloco de Esquerda Luís Fazenda juntou-se à concentração designada «Meet no MEC» para manifestar a sua solidariedade com os docentes. «Este concurso só pode ser anulado. Os apelos à demissão que aqui se ouvem são o corolário lógico de tanta incompetência», disse o deputado à imprensa no local.

Para Luís Fazenda, a credibilidade de Crato sai «completamente queimada», por causa da alegada utilização de uma fórmula matemática com erros.

A Fenprof exige ser recebida pelo ministrocom urgência. «Estas 48 horas são até quarta-feira. Reunião com o senhor ministro, com o senhor diretor-geral e divulgação dos critérios. Se até lá isto não acontecer, na quinta-feira às 11:00, os dirigentes sindicais destas organizações estarão à porta do Ministério exigindo ser recebidos e apelam a todos os professores penalizados, no desemprego, retirados pela PACC, que compareçam à porta do Ministério. Isto não pode passar impune, isto tem que ser resolvido. Há prejuízos que têm a ver com a vida das pessoas», defendeu o líder sindical, Mário Nogueira.

Se não houver resposta, na quinta-feira, «entrará nos tribunais uma ação geral expondo todas estas situações e requerendo nos tribunais a anulação pura e simples deste concurso da BCE». Em causa, estarão cerca de 2.500 colocações através dessa plataforma, com perto de 300 escolas afetadas.

«Dou aulas há 15 anos e já passei por 20 escolas»

«Ficou provado que a fórmula matemática que foi usada estava errada e a graduação não contou quase nada», apontou à Lusa Belandina Vaz, professora de História que tem participado nos protestos. Esse alegado erro fez com que milhares de professores com mais de 10 anos de serviço «ficassem em lugares muito inferiores» a outros com menos experiência. Os subcritérios que tiveram de preencher numa plataforma informática «não são transparentes». «Não sabíamos a que escola estávamos a responder» nestes campos.

Leona Carrilho, uma professora com 15 anos de serviço presente no protesto, subscreveu as críticas da colega: «Dou aulas há 15 anos e já passei por 20 escolas». Este ano não ficou colocada e vai continuar a concorrer para dar aulas de Português e Francês até que «a situação se resolva».

Vitor Miranda, membro da Federação Nacional dos Professores ( Fenprof), juntou-se ao protesto em solidariedade. Entrou este ano para os quadros no concurso extraordinário de vinculação, ao fim de 18 anos contratado. O problema, disse à Lusa, foi a aplicação de uma fórmula que resulta numa média que não é ponderada e utiliza diferentes medidas. «É a mesma coisa que somar quilos com litros», exemplificou .

«Em última instância, se estivesse a aplicar isto aos meus alunos permitiria que um aluno com 20 pudesse ficar com negativa no final do período, ou que um aluno de zero entrasse na universidade com 50 por cento».