A Associação Nacional dos Professores Contratados, que aguardam colocação no próximo ano letivo, acusou esta sexta-feira o Governo de pretender diminuir a «qualidade da escola pública».

Em comunicado, em reação ao anúncio do Ministério da Educação e Ciência (MEC) na colocação de 10.826 dos 13.011 professores do quadro no concurso interno, a ANVPC ressalvou «a gravidade dos números apresentados» e assinalou que o Governo tem «a vontade ideológica de diminuição da qualidade da escola pública, sustentada na drástica diminuição dos professores».

«Relativamente à publicitação das listas definitivas do concurso da mobilidade interna, a gravidade dos números apresentados não surpreende», refere-se no documento.

A ANVPC salientou ainda que «os professores contratados ficarão a aguardar a sua colocação [cuja data precisa o MEC não avança] e irão eleger certamente este ano como aquele em que se iniciarão nos tribunais nacionais as ações individuais pela sua não entrada nos quadros».

É que, acentua a associação, muitos professores contratados - com cinco, dez, 15, 20 ou mais anos de contrato - «poderão vir a ser remetidos para o desemprego, depois de todo o serviço prestado para a mesma entidade empregadora, o Estado português».

O Ministério da Educação anunciou hoje que cerca de 83 por cento dos professores do quadro foram colocados, e que existem ainda 2.185 sem horário atribuído e mais de 6.000 horários para preencher, de acordo com as necessidades identificadas anteriormente pelas escolas.

Estes horários serão agora devolvidos às escolas para reavaliarem as necessidades.