O secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof) estima que haja mais de 35 mil alunos sem aulas ou com falta de professores a algumas disciplinas devido aos problemas de colocação de docentes nas escolas.

 

«Continuamos a ter mais de 35 mil alunos que não têm as aulas todas ou, no caso dos alunos do 1.º ciclo e do pré-escolar, ainda não têm professor», disse à Lusa o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, segundo uma estimativa com base nos dados do Ministério da Educação e Ciência (MEC) sobre as colocações da Bolsa de Contratação de Escola (BCE).

 

De acordo com o ministério, à hora de almoço de segunda-feira tinham sido preenchidos 1.987 horários (1.086 horários completos e 901 incompletos), estando os restantes 473 horários em processo de aceitação por parte dos candidatos selecionados ou ainda em processo de seleção pelos diretores escolares.

 

A situação estará a afetar mais de 35 mil alunos, segundo Mário Nogueira, que estima que cada horário completo (22 horas de aulas por semana) atinja cerca de cem alunos e cada horário incompleto cerca de 50 estudantes. «Estamos a dar números por baixo», sublinhou, explicando que os horários incompletos podem afetar apenas uma turma ou ir até 21 horas de aulas semanais.

 

A Lusa questionou o MEC sobre o número de alunos que continuam sem todos os professores, mas não obteve qualquer resposta.

 

 

«Se o comunicado do ministério fosse datado de 27 de agosto, aqueles dados seriam uma ótima notícia, mas trata-se da situação nas escolas a 27 de outubro», criticou Mário Nogueira.

 

À saída da reunião com a nova diretora da Direção Geral da Administração Escolar (DGAE), Mário Nogueira disse ainda que aquele organismo se tinha comprometido a começar a divulgar quinzenalmente a lista dos docentes colocados através da BCE.

 

Outra das novidades foi a situação dos recursos avançados por docentes por causa dos erros detetados no início de setembro na contratação inicial e mobilidade interna: «Acredito que na passada sexta-feira já começaram a dar despacho a estes processos», disse o líder da Fenprof, em representação da Plataforma Sindical de Professores (composta por sete organizações) que esteve na DGAE.

 

Mário Nogueira revelou ainda que, na passada sexta-feira, começaram também a ser despachados alguns processos de professores dos quadros que pediram para mudar de escola, no âmbito da mobilidade por doença.

 

Ainda segundo a Fenprof, na próxima semana deverá abrir a plataforma do ministério que permite aos docentes iniciar os processos de permuta de escola entre eles.