Uma década após o início da investigação, a Operação Furacão contabiliza 149 inquéritos instaurados, 759 arguidos constituídos, cinco acusações deduzidas, cinco inquéritos em curso e mais de 141 milhões de euros recuperados até à data.

Segundo dados fornecidos à agência Lusa pela Procuradoria-Geral da República, o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) nas cinco acusações proferidas constituiu 108 arguidos, entre pessoas singulares e pessoas coletivas (por exemplo, empresas), relacionado com fraude fiscal de elevado valor.

Nas acusações deduzidas estão em causa valores que totalizam mais de 57 milhões de euros, mas no âmbito de toda a Operação Furação o DCIAP já recuperou mais de 141 milhões de euros (141.523.698,12 euros).

Este montante não inclui as quantias pagas pelos arguidos na sequência de inspeções realizadas pela Autoridade Tributária (AT) que tiveram origem em comunicações do DCIAP, o departamento do Ministério Público (MP) que investiga a criminalidade económico-financeira organizada mais grave, complexa e sofisticada.

Entratanto, o MP proferiu despacho de suspensão provisória de processo em 134 casos, mediante o pagamento pelos arguidos das quantias devidas.

O DCIAP refere que há ainda inquéritos pendentes com o objetivo de suspensão provisória.

O primeiro processo a chegar a julgamento resultante da Operação Furação tem início marcado para dia 19 na Instância Central de Lisboa/secção criminal, num caso que envolve 12 arguidos, incluindo consultores, advogados e empresas.

A denominada Operação Furacão iniciou-se em finais de 2005 com a realização de buscas a várias entidades bancárias (BES, BCP, BPN e Finibanco) e a descoberta de transferências que indiciavam a prática de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais, envolvendo pessoas e empresas portuguesas, muitas delas utilizando paraísos fiscais (off-shores) e outros mecanismos para fugir ao fisco.