A Associação Portuguesa de Podologia (APD) está a ponderar processar judicialmente a Ordem dos Médicos em tribunal por causa de afirmações de seus dirigentes sobre a regulamentação do exercício da profissão que classifica de «falsas e gratuitas».

O Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos acusou o Ministério da Saúde de querer transformar «a profissão de esteticista/pedicura (podologia)» numa profissão que abrange competências médicas.

A acusação consta de um comunicado deste organismo, a propósito de uma proposta de lei que se encontra em discussão na Assembleia da República e que estabelece o regime de acesso e de exercício da profissão de podologista.

Esta quarta-feira, a APP fez saber, através de comunicado, que estas afirmações estão a causar «enormes danos nos profissionais da podologia, pois estão a comprometer a relação e a confiança entre os podologistas e os doentes».

Perante isso, a Associação deu instruções ao seu departamento jurídico para avaliar esta atuação.

«Se assim se entender, será o caso levado ao foro judicial para apuramento de responsabilidades», lê-se no comunicado.

Segundo o conselho regional do norte da Ordem dos Médicos, a proposta de lei sobre o regime de acesso e de exercício da profissão de podologista «transforma na prática a profissão de esteticista/pedicura (podologia) numa profissão de elevada diferenciação e extensão, abrangendo competências de medicina, cirurgia e anestesiologia».

«E tudo isto com um curso teórico de apenas três anos», alerta o Conselho Regional do Norte, referindo que a proposta prevê que os podologistas passem «a desempenhar, com total autonomia técnica e científica (prevenção, diagnóstico e terapêutica), múltiplas funções de profissões que têm, todas elas, períodos de formação bem mais extensos e exigentes».

Afirmações que a APP repudia, considerando que tal ato da Ordem dos Médicos se trata de «mero corporativismo».

«A formação total dos podologistas, entre formação pré-graduada e pós graduada, está compreendida entre 3000 e 4500 horas, claramente superior a qualquer formação académica médica na área do pé», prossegue o comunicado.