O incêndio que deflagrou no Hospital de Valongo (Porto) em fevereiro deste ano foi originado por um doente psiquiátrico que escondeu um isqueiro na axila, mas o hospital vai arquivar o processo, segundo fonte hospitalar.

Em declarações à Lusa, João Oliveira, vogal do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de São João (ao qual pertence o Hospital de Valongo), explicou que o inquérito interno revelou que o incêndio deflagrou originado por um «doente [com problemas psiquiátricos] que tinha sido afastado num quarto individual e que teria ateado o fogo com um isqueiro escondido na axila».

Como era um doente agitado e tinha entrado em desacatos com outro, a equipa clínica decidiu colocá-lo num quarto individual, explicou João Oliveira, referindo que o problema psiquiátrico do paciente levou-o a vingar-se e alegadamente a atear fogo.

O Hospital de São João decidiu «não abrir nenhum processo-crime, porque o doente tem problemas do foro psiquiátrico e, por isso, é inimputável», avançou João Oliveira.

«Na nossa perspetiva não há matéria para isso [processo-crime]», acrescentou aquele responsável, referindo, no entanto, que o inquérito interno vai ser entregue ao Ministério Público.

O Conselho de Administração do Centro Hospitalar de São João deliberou «arquivar o processo de inquérito» e «não prosseguir com qualquer outro processo», acrescentou João Oliveira, referindo que o inquérito revelou também que os profissionais «fizeram tudo o que estava definido conforme o plano de emergência e a proteção dos doentes».

O incêndio que deflagrou pelas 13:44 do dia 12 de fevereiro provocou a retirada de todos os 53 doentes do hospital de Valongo.

Os 15 doentes que foram, na altura, retirados da ala de psiquiatria foram todos transferidos para o Hospital de São João do Porto.

Durante o incêndio registaram-se três feridos ligeiros, um bombeiro com o dedo cortado e um enfermeiro e um auxiliar intoxicados com fumos.