O Director-Geral da Saúde, Francisco George, destacou esta quarta-feira a necessidade de resolver «totalmente» os problemas laborais da Linha Saúde 24, depois de uma visita da Comissão Parlamentar da Saúde ao centro de atendimento daquele serviço em Lisboa, segundo declarações da agência Lusa.

Oito enfermeiros da Linha Saúde 24 acusaram a administração, a cargo da empresa Linha de Cuidados de Saúde (LCS), de estar a despedi-los por terem denunciado o «caos organizativo» da instituição, o que foi negado pela empresa.

Segundo a LCS, desse grupo de enfermeiros, seis foram entretanto readmitidos na empresa, - sendo que dois enfermeiros retomaram funções no início desta semana - um colaborador manifestou desinteresse na continuidade da prestação de serviços e um enfermeiro ainda não foi readmitido por «indisponibilidade de agenda».

Disputas por resolver

No entanto, o Director-Geral da Saúde (DGS), Francisco George, que falava aos deputados da Comissão Parlamentar da Saúde no fim da visita, afirmou que «as disputas ainda não estão totalmente resolvidas», sublinhando que «têm de estar».

«Ninguém duvida de que o serviço é um excelente serviço, ninguém duvida de que a unidade de acompanhamento da DGS [que avalia externamente a Linha Saúde 24] cumpre a sua missão», ressalvou Francisco George.

No fim da reunião entre a Comissão Parlamentar da Saúde e a administração da LCS - que não contou com a presença de nenhum representante dos funcionários - Francisco George reafirmou aos jornalistas a necessidade de «resolver todo os problemas laborais» para dar «o exemplo» e «não prejudicar imagem do serviço».

Recusa de «irregularidades»

O administrador da empresa Ramiro Martins negou as «irregularidades» que têm sido apontadas pelos enfermeiros, destacando o «alto grau de satisfação dos cidadãos quanto ao serviço»: 99 por cento dos cidadãos recomendam o serviço. Acentuando a natureza laboral da disputa entre a administração e os funcionários, o director-geral da Saúde explicou que quando a questão for resolvida «ganhar-se-á outra dinâmica de confiança» na Linha Saúde 24.

«O poder de resolver as questões laborais está na empresa e, por isso, a empresa tem de ser a primeira a ceder», sugeriu. Ramiro Martins defendeu que os oito enfermeiros foram dispensados inicialmente depois de um processo de avaliação de desempenho que «não revelou índices de performances adequados».

«Segunda oportunidade»

No fim do mês de Fevereiro, a LCS procedeu à «reanálise do processo de classificação e de dispensa de prestadores de serviços», decidindo atribuir «uma segunda oportunidade» aos enfermeiros dispensados. «A expressão "segunda oportunidade" não foi feliz», considerou o director-geral da Saúde.

Os problemas laborais na Saúde 24 já tinham levado Francisco George a admitir a hipótese de não renovar o contrato com a empresa, no passado mês de Fevereiro, quando estas questões foram levadas ao parlamento, possibilidade que não excluiu esta manhã, apesar de assegurar ter «confiança» na resolução de «todas as questões laborais».

A presidente da Comissão Parlamentar de Saúde, Maria de Belém, ressalvou a importância do serviço da Saúde Linha 24 e de «garantir que os cidadãos estão em primeiro lugar e que tudo o resto é um instrumento ao serviço dos cidadãos».