O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) afirmou este sábado que os professores do ensino particular e cooperativo são ainda mais penalizados do que os do setor público, o que prejudica o seu desempenho.

No final do Encontro Nacional da Fenprof, subordinado ao tema "Ser Docente no Ensino Particular e Cooperativo", Mário Nogueira disse à agência Lusa que “é grande” a insatisfação deste grupo profissional.

“Ser professor no ensino particular e cooperativo é ter os problemas comuns a todos os professores, um trabalho em que impera uma grande burocracia, horários de trabalho penalizadores, o que não contribui para o melhor desempenho, uma sobrecarga de tarefas, um grande desgaste físico, psicológico e emocional.”


Para Mário Nogueira, “a situação agrava-se quando se entra no terreno do quotidiano, na relação com o diretor do colégio, em que em alguns casos são cometidos abusos do ponto de vista do trabalho, as tarefas e os horários impostos aos professores”.

“Há uma pressão muito grande, uma ameaça que vai pairando sobre os professores que faz com que o exercício da reivindicação seja muitas vezes travado.”


A situação faz com que esta classe “seja mais penalizada do que no [setor] público. Sente-se uma grande insatisfação dos colegas, mas num tempo em que os professores são o grupo profissional em que se tem vindo a acentuar mais o desemprego, estes acabam por sentir-se constrangidos a reivindicar”.

“Há ali um medo que faz com que, por vezes, as pessoas se resignem com a sua situação, independentemente da indignação. As pessoas têm medo de ser despedidas, e mesmo sabendo que lhes estão a exigir mais do que é legal, têm medo das consequências, nomeadamente de despedimento, o qual já tem existido.”


Mário Nogueira não aceita qualquer justificação desta maior exigência aos professores devido a questões financeiras, lembrando que, ao abrigo dos contratos de associação, 1.740 turmas, do quinto ao 12º ano, irão ser entregues aos colégios.

Por ano, os colégios vão ter lucros de 10 milhões de euros, declarou Mário Nogueira, para quem “não se pode falar em dificuldades financeiras para congelar salários ou reduzir o número de professores e consequente aumento dos horários de trabalho dos que lá ficam”.