O presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, Jorge Alves, disse esta terça-feira que há guardas prisionais nos Açores que trabalham em «condições péssimas» quando têm de acompanhar reclusos às ilhas sem estabelecimentos prisionais.

«É frequente, quando existe mau tempo [e os voos são cancelados] ou quando a diligência se prolonga por mais do que um dia, os guardas prisionais terem de pernoitar no local. Estamos a falar de um espaço do tribunal onde as janelas estão tapadas com tábuas, os guardas dormem num colchão no chão com roupas cedidas pelos bombeiros locais para poderem estar perto do recluso que fica no calabouço do tribunal a pernoitar», disse Jorge Alves, à Lusa, referindo-se à situação mais recente, ocorrida em São Jorge.


O sindicato afirma que a situação não é nova e que acontece sobretudo no tribunal da ilha de São Jorge, onde as condições «são piores» e para onde é mais recorrente deslocar reclusos que estão presos num dos três estabelecimentos prisionais que existem nos Açores.

A situação repetiu-se na semana passada, com dois guardas prisionais do Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo (ilha Terceira) a terem de ficar 75 horas ininterruptas a acompanhar um recluso que teve de ser presente ao tribunal de São Jorge.

«Infelizmente, é uma situação recorrente que nós pensávamos já estar resolvida, visto que há aproximadamente um ou dois anos nós pedimos a sensibilidade da direção do Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo e disseram-nos que iriam efetuar as diligências necessárias. E agora deparamo-nos com o mesmo problema», afirmou o sindicalista.


Para Jorge Alves, «tem havido falta de vontade dos responsáveis» em resolver esta questão e aponta para duas possíveis soluções, que o sindicato já propôs à direção-geral responsável pelos serviços prisionais.

«O recluso poder ficar nas instalações da polícia, onde os guardas podem ter outras condições para pernoitar e com o apoio da própria polícia local. No caso de não ser possível ficar na polícia, fazerem-se deslocar pelo menos três guardas e garantir que no local os guardas tenham não só condições mais dignas como melhores condições para fazerem a vigilância do recluso», disse.