O sindicato das chefias dos guardas prisionais informou esta quarta-feira que dois guardas foram sequestrados em Coimbra por dois reclusos na terça-feira, considerando que a situação, resolvida no próprio dia, é sinal da falta de pessoal nas prisões portuguesas.

Dois reclusos, com cerca de 30 anos e reincidentes, "sequestraram e manietaram" com recurso a "umas pernas de uma mesa e um ferro pontiagudo" dois elementos de vigilância, uma chefe e um guarda, às 18:00 de terça-feira, aquando do acompanhamento da refeição dos presos num dos refeitórios do Estabelecimento Prisional de Coimbra, disse à agência Lusa o presidente da Associação Sindical de Chefias do Corpo da Guarda Prisional (ASCCGP), Mateus Dias.

Alguns reclusos presentes no refeitório acabaram por ajudar "a pôr cobro" à situação, que ficou completamente resolvida por volta das 19:00, sendo que o único ferido no incidente foi um dos presos que ajudou os guardas prisionais, tendo sofrido agressões de um dos sequestradores, contou.

"É caricato. Ainda bem que houve reclusos que ajudaram, mas deviam ter sido guardas", afirmou, explicando que os dois guardas que acompanhavam a refeição de cerca de 60 reclusos "eram os únicos elementos de vigilância no refeitório".


Mateus Dias considerou que este é um sinal da "grande falta de elementos de vigilância" nos estabelecimentos prisionais.

Apesar da denúncia de carência de pessoal nas prisões já ser feita "há muito tempo", a Direção Geral dos Serviços Prisionais (DGSP) "tem ignorado essa falta" de pessoal, criticou, acrescentando que a ASCCGP estima que haja uma falta de 1.200 guardas no país.

"A 12 de novembro de 2014, foi aberto concurso para guardas [400 vagas] e passado quase um ano ainda só foi feita uma das várias provas", salientou, referindo que "há uma passividade enorme da direção geral".

Quanto ao Estabelecimento Prisional de Coimbra, este necessitaria de, pelo menos, "mais 50 ou 60 guardas", numa prisão onde se "cumprem penas longas" e com uma das maiores populações reclusas de Portugal, apontou.

Mateus Dias teme que, "um dia destes, possa acontecer alguma coisa mais grave, como um guarda ser morto ou ferido. E, depois disso, quem é que vai assumir a responsabilidade?", questionou.

"Estão criadas todas as condições para que estes episódios voltem a acontecer", concluiu.

A agência Lusa tentou contactar a DGSP, mas até às 19:20 não foi possível.