Vários reclusos do Estabelecimento Prisional de Braga envolveram-se em confrontos no refeitório, na quarta-feira, num episódio que foi «um bocado complicado» de resolver face à escassez de guardas prisionais, informou hoje um dirigente sindical.

Jorge Alves, do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) disse à Lusa que a rixa se registou na altura do jantar, quando um recluso foi «tirar satisfações» com outro.

Na origem do conflito terá estado uma denúncia, «ao que tudo indica infundada», de violação de um recluso.

«Embrulharam-se todos no refeitório, puxaram o graduado para trás, foi uma situação um bocado complicada, porque eram muitos reclusos e muito poucos guardas», referiu.

Segundo Jorge Alves, quatro dos reclusos envolvidos na rixa ficaram fechados em medidas cautelares, tendo um outro sido transferido para o Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo.

O dirigente sindical garantiu que, na prisão de Braga, as refeições são, normalmente, uma das alturas «mais críticas», já que normalmente apenas estarão disponíveis «dois ou, no máximo, três» guardas para 50 ou 60 reclusos.

«Aquele estabelecimento prisional precisa, no mínimo, de mais 15 guardas», referiu.

Serviços Prisionais garantem que cadeia tem rácio europeu guardas/reclusos

A Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) defendeu que a «altercação» entre reclusos registada na quarta-feira na cadeia de Braga «é insuscetível» de ser associada ao número de guardas prisionais que ali prestam serviço.

Em comunicado enviado à Lusa, a DGRSP garante que o rácio no Estabelecimento Prisional de Braga é de um guarda para três reclusos, «valor que é igual ao da média dos países do Conselho da Europa».

«O incidente [no EP de Braga] é insuscetível de ser associado ao número de guardas prisionais», acrescenta.

A DGRSP esclarece que a «altercação» se registou no refeitório e envolveu dois reclusos, tendo sido «imediatamente resolvida pelos elementos do Corpo da Guarda Prisional ali presentes».

Diz ainda que os dois protagonistas do incidente foram cautelarmente separados da restante população prisional.

Jorge Alves, do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, disse à Lusa que os confrontos envolveram vários reclusos e foram espoletados quando um foi tirar satisfação com outro, após uma denúncia de alegada violação.

A DGRSP desmentiu que se tenha verificado qualquer violação naquele estabelecimento prisional.